domingo, 19 de julho de 2015

Importância da Fisioterapia na Doença de Parkinson


A Doença de Parkinson ocorre em consequência de uma deficiência na produção de dopamina cerebral, neurotransmissor produzido pela região do cérebro chamada “substância negra”, responsável principalmente pelo controle dos movimentos do corpo, humor, emoções, cognição, sono e memória. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Parkinson acomete cerca de 100 a 200 pessoas por 100 mil habitantes acima de 40 anos, ou aproximadamente 1% da população mundial com idade superior a 65 anos. Só no Brasil, estima-se que cerca de 200 mil pessoas sejam portadoras da Doença de Parkinson.
Essa doença neurodegenerativa é caracterizada clinicamente pela presença de tremor, rigidez, lentidão dos movimentos e alteração do equilíbrio postural. Também é comum a presença de sintomas não motores, como a redução do olfato, alterações urinárias, distúrbios do sono, depressão, ansiedade, fadiga, constipação e dificuldade de concentração e memória.

A fisioterapia como uma ciência que estuda, previne e trata os distúrbios relacionados ao movimento tem um papel importante no tratamento do indivíduo portador de Parkinson, pois irá proporcionar uma melhora no seu estado físico geral, tendo como objetivo principal a restauração ou manutenção da função motora, incentivo à realização das atividades de vida diária de forma independente, proporcionando mais qualidade de vida.

De uma maneira geral, a fisioterapia irá atuar nos distúrbios motores, realizando exercícios de alongamento, mobilização, movimentação e exercícios de força muscular para a manutenção da mobilidade e diminuição da rigidez e melhora das alterações posturais. O treino de equilíbrio e marcha, são essenciais pelo alto risco de queda desses pacientes, já que 68,5% dos pacientes com DP apresentam quedas, sendo que 33% destes teriam fraturas ósseas com admissões em hospitais. Muitas vezes, é necessária a prescrição de um dispositivo de auxílio à marcha (andadores, bengalas, entre outros) que deverá ser avaliado pelo fisioterapeuta diante da necessidade do paciente, que será ajustado (melhor recurso e altura) e treinado para melhor adaptação.

Complicações respiratórias podem surgir em decorrência da evolução da doença e dos distúrbios relacionados à deglutição, tornando o paciente mais suscetível à pneumonia, por exemplo, além da diminuição da mobilidade e das alterações posturais que acabam interferindo na capacidade pulmonar. A fisioterapia respiratória desempenha um papel fundamental no tratamento atuando antes como prevenção, com exercícios que melhorem a postura e a capacidade pulmonar, podendo atuar também, na reabilitação, fazendo a higiene brônquica e reexpansão pulmonar, no caso de infecção.


         Como essa doença é progressiva, a intervenção fisioterapêutica deve ser de longo prazo. Muitos clínicos e pesquisadores acreditam que a fisioterapia deve começar tão cedo quanto o estabelecimento do diagnóstico, para prevenir a atrofia muscular, a fraqueza e a capacidade de exercício reduzida. É importante que toda a família esteja envolvida no tratamento do portador de Parkinson, para que as atividades também sejam encorajadas em casa, já que períodos prolongados de inatividade devem ser evitados. Também vale a pena lembrar que a fisioterapia será necessária por toda a vida.
 

Danielle Renck
          Luciano Chaves

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