quarta-feira, 14 de maio de 2014

SILENT: Neurotoxicidade persistente secundária ao uso de lítio - relato de caso

      O lítio é classicamente usado no tratamento do transtorno bipolar do humor (TBH) e tem sido relacionado à neurotoxicidade, com seqüelas persistentes. Em 1987, Adityanjee et al. relataram, pela primeira vez, o termo SILENT (Síndrome do Efeito Neurotóxico Irreversível por Lítio), que tem como critério diagnóstico a presença de seqüelas no Sistema Nervoso Central secundárias à litioterapia que persistem após dois meses cessada a administração do mesmo.1 Segue o caso de uma paciente com TBH que desenvolveu SILENT no curso do tratamento com lítio.
      ZK, 22 anos, feminina, iniciou TBH em 1998, aos 15 anos, com um episódio de depressão maior. Nesta ocasião, foi medicada com venlafaxina de liberação lenta (75 mg/dia), apresentando virada maníaca após um mês de tratamento. Retirado o antidepressivo, melhorou espontaneamente e manteve-se eutímica, sem medicamentos, nos dois anos seguintes. Em 2000, aos 17 anos, teve outro episódio depressivo que, após três meses sem tratamento, evoluiu para episódio maníaco. Medicada com oxcarbazepina 600 mg/dia, houve recuperação por um ano. Em janeiro de 2002, suspendeu a medicação e, no final de 2003, aos 20 anos, desenvolveu um episódio maníaco com sintomas psicóticos. Nesta ocasião, recebeu diagnóstico de TBH e realizou exames laboratoriais, sendo introduzido lítio 900 mg/dia e olanzapina 10 mg/dia, com suspensão desta última um mês após estabilização do quadro. De janeiro de 2004 a meados de junho de 2005, encontrava-se eutímica em uso apenas de lítio 1.200 mg/dia (litemia de 0,7 mEq/L). No final de junho de 2005, desenvolveu gastroenterite associada à febre e, após cinco dias, apresentou ataxia cerebelar, disartria e dismetria. Avaliada em 1º de julho, teve suspenso o lítio e colhida litemia, que se mantinha em 0,7 mEq/L. Em 21 de julho de 2005, submeteu-se à ressonância nuclear magnética (RNM) de crânio (normal) e iniciou fisioterapia, fonoterapia e natação (duas horas por semana). Em setembro de 2005, ainda mantinha síndrome cerebelar e, apesar de estar eutímica, foi introduzida oxcarbazepina 600 mg/dia como medida profilática para o TBH. Evoluiu com melhora progressiva e, até janeiro de 2006, mantinha ataxia e disartria leves.
      Existem cerca de 90 casos de SILENT publicados na literatura,2 sendo a síndrome mais freqüente no sexo feminino (49 casos), com idades variando de 21 a 77 anos. Os fatores mais relacionados à síndrome são: febre,3 uso de antipsicóticos típicos e lesão cerebral.² Embora ocorra mais freqüentemente com litemias elevadas, pode se desenvolver também com lítio na faixa terapêutica. A etiopatogenia é desconhecida, mas já foi detectada desmielinização em múltiplas regiões cerebrais, principalmente, no cerebelo.4
      Este relato ilustra a ocorrência de um caso de SILENT, com envolvimento cerebelar em paciente do sexo feminino, como comumente relatado na literatura, porém com níveis terapêuticos de litemia, sem outros fatores de risco, exceto febre. Sendo assim, apesar da dosagem do lítio ser de extrema importância, vale ressaltar que a neurotoxicidade pode ser ocasionada ou facilitada por outros fatores, independentemente do valor da litemia, tornando-se um alerta para os profissionais que assistem essa população.²
 
 
 
FONTE: Revista Brasileira de Psiquiatria. vol. 28 no. 2 São Paulo.

 

 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Artroplastia coxofemural

     A existência de dor severa e a incapacidade para trabalhar ou de participar de atividades sociais e de lazer fazem o cirurgião decidir por uma artroplastia coxofemoral, também conhecida como prótese de quadril.

Orientações para o paciente no pós operatório imediato:
. evitar cruzar as pernas;
. evitar flexionar o quadril acima de 90 graus: não sentar em cadeiras baixas;
. evitar a rotação interna do quadril;
. sempre que dormir de lado colocar um travesseiro entre as pernas;
. pedir ajuda para calçar os sapatos para evitar a flexão do quadril acima dos 90 graus.

Fisioterapia pós operatória
     A principal preocupação pós cirúrgica é fazer com que o paciente comece a andar. Os pacientes que não apresentam complicações são, em geral, encorajados a começar a deambular com supervisão do fisioterapeuta no primeiro dia após a operação. O fisioterapeuta também deve orientar o paciente sobre a forma correta de se movimentar para evitar os movimentos indesejados, descritos acima.
     Com tratamento fisioterapêutico adequado o operado retoma rapidamente as suas atividades normais. A marcha pode evoluir do uso de andador para uma bengala e depois não usar nenhuma órtese, conforme tolerado. As diferenças no comprimento dos membros inferiores deve ser avaliado e caso necessário prescrever palmilhas.