segunda-feira, 20 de maio de 2013

Quem Gosta de Cama é Colchão

A primeira providência que muitos de nós tomamos, quando estamos cansados e doentes é procurar uma cama para deitar. Realmente, o descanso e o sono são grandes remédios e reparam nossas forças e energias, na busca de uma melhor convalescência. Como diziam os antigos: “Nada melhor para curar uma gripe do que vitamina C e cama!”
Num processo de envelhecimento mais patológico, o idoso apresenta algumas doenças sérias, onde a dificuldade de andar e o desequilíbrio podem estar presentes,  levando a família e os cuidadores a deixá-lo na cama, por um período muito grande do dia. “Coitadinho, ele está tão fraquinho!”, “…o doutor recomendou repouso, portanto CAMA!”
Existe na geriatria e na gerontologia uma grande preocupação em reabilitar estes idosos mais debilitados, seja por fraturas de colo de fêmur, sejam pelas fases mais avançadas de Parkinson e Alzheimer, seja por uma isquemia cerebral séria, enfim qualquer doença que incapacite severamente o idoso.
Deixar um idoso dependente acamado na maior parte do dia, é deixar que alguns problemas sérios e incapacitantes ocorram. São eles:
  • escaras ou úlceras de pressão e decúbito (aqueles ferimentos na região glútea e nas coxas).
  • prisão de ventre severa.
  • incontinência urinária.
  • se levanta sozinho, o idoso pode cair com mais facilidade, quebrando a perna… ficando mais imobilizado…
  • o idoso fica mais confuso, mais depressivo, a memória falha mais…
  • normalmente, o idoso que fica acamado toma muito mais medicamentos.
  • maior tendência à infecções urinárias e à pneumonias.
  • encurtamentos musculares podem ocorrer.
  • deformidades articulares podem acontecer.
  • os pulmões ficam mais frágeis e suscetíveis a infecções.
“QUEM GOSTA DE CAMA É COLCHÃO!” A retirada paulatina do idoso imobilizado no leito é feita através de reabilitação. E REABILITAÇÃO se faz, na medida do possível, com uma equipe multidisciplinar. O geriatra orientando em relação às doenças e seus tratamentos, o fisioterapeuta reabilitando e retirando este idoso da cama, a enfermagem cuidando e ensinando a cuidar, a nutrição orientando uma dieta balanceada. É assim que se faz, é assim que reabilitamos e tiramos nosso idoso da cama. Sua qualidade de vida irá melhorar muito!

Texto de Márcio Borges - médico geriatra

terça-feira, 14 de maio de 2013

Exercícios contra o mal de Alzheimer

Pacientes com Alzheimer deveriam fazer fisioterapia desde o inicio do diagnóstico. Embora na fase leve a doença atinja apenas a parte cognitiva e comportamental do doente, a fisioterapia pode colaborar com a diminuição do avanço da doença. Os exercícios podem minimizar quedas, danos motores e prolongar a independência dos pacientes.


Em uma pesquisa realizada recentemente na Faculdade de Medicina da USP, foi demontrado que a fisioterapia é importante para diminuir a progressão da doença. Por meio de exercícios, pode-se manter o paciente na mesma fase da doença pelo maior tempo possível. O treino das atividades do dia-a-dia, como subir escadas ou escovar os dentes, ajuda a melhorar o equilíbrio, diminuindo a dependência dos idosos. O fortalecimento muscular também ajuda na prevenção de quedas. Os fisioterapeutas também são importantes para orientar os cuidadores a fazer as adaptações necessárias  na casa do paciente, como a instalação de barras de apoio no box do banheiro, a retirada de tapetes e uso de iluminação adequada para facilitar sua locomoção e diminuir os riscos de quedas. Os idosos já possuem normalmente, alterações de equilíbrio, mas naqueles que têm a doença de Alzheimer elas são ainda maiores.


Na fase mais avançada da doença, quando o paciente passa a maior parte do tempo restrito ao leito, a fisioterapia é importante tanto para orientar os cuidadores sobre como transferir corretamente os doentes na cama quanto para minimizar as complicações da síndrome do imobilismo. Entre as possíveis conseqüências desse problema estão o encurtamento dos músculos e a perda da força muscular, o surgimento de ulceras por pressão (escaras), trombose, prisão de ventre e pneumonia, entre outros.


Quedas e equilíbrio


A pesquisa analisou 48 idosos com Alzheimer (25 na fase leve e 23 na moderada) e 40 idosos saudáveis. Além de um questionário, respondido pelo familiar, sobre quedas e atividades cotidianas, foram feitos testes de equilíbrio que simularam movimentos do dia-a-dia, como apoiar os pés no degrau, por exemplo. Em relação ao equilíbrio, os pacientes com Alzheimer na fase leve não apresentaram resultados muito diferentes dos saudáveis. Os que estavam num estágio mais avançado da doença tiveram maior perda de estabilidade. A capacidade de execução de tarefas diárias foi diminuindo com a progressão da doença.


O estudo comparou o número de quedas de idosos saudáveis com o de pacientes com Alzheimer: enquanto 45% dos primeiros sofreram pelo menos uma queda no ano anterior, nos com a doença o número foi de 50%. “Quedas em idosos são sempre um problema grave. Elas podem causar hematomas e fraturas, levando até a cirurgias e hospitalização. Além disso, a instabilidade e o medo de novas quedas podem aumentar a dependência, o que ainda é mais grave nos idosos com Alzheimer.


Os idosos com diagnóstico de Alzheimer na fase leve apresentaram mais quedas que os na fase moderada. Isso acontece porque eles ainda se expõem mais. Os que estão num estágio mais avançado da doença já andam sempre acompanhados e normalmente não se lembram de terem caído quando estavam sozinhos. Também é importante evitar o uso excessivo de remédios para alterações do comportamento e agressividade, comuns nessa doença. Esses medicamentos podem facilitar as quedas, aumentando o desequilíbrio e provocando grande sonolência – o que deixa o idoso menos ativo, diminui sua força muscular e traz maior dependência.

Fonte: agência USP de notícias.