quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Somos pessoas equilibradas?

Do ponto de vista psicológico eu não me arrisco discutir! Mas do ponto de vista físico afirmo que NÃO! Já dizia o querido professor Arnaldo Valentim que vivemos em constantes desequilíbrios que nos permitem ficar em pé e não cair.
Posso explicar. O mecanismo do equilíbrio está baseado na cooperação entre o sistema vestibular, informações proprioceptivas, táteis e visuais. O equilíbrio não apenas depende da integridade destes sistemas, mas também da integração sensorial dentro do sistema nervoso central para fornecer uma resposta muscular e articular que se adapte rapidamente a alterações. Complicou?
O equilíbrio estático do corpo humano parado na posição ereta, na verdade, não existe. Em qualquer momento no tempo, pequenos movimentos corporais são executados para manter a postura em pé.  Por exemplo, se colocarmos um cabo de vassoura em pé, ele certamente cairá, pois não dispõe de mecanismos neuromusculares (que estão sempre em movimento) para manter o equilíbrio. Portanto, é certo dizer que sempre estamos em movimento, mesmo quando pensamos estar parados.
Faça um teste. Coloque sua irmã mais nova parada na sua frente e em pé, com os pés juntos. Coloque nela o par de brincos mais comprido que tiver. Observe os brincos dela. Certamente estarão oscilando. Isto prova que há movimento.
Nós estamos sofrendo constantes desequilíbrios que precisam ser reequilibrados para que a queda não ocorra. Um complexo sistema neuromuscular está a postos para manter a posição ereta basicamente instável. Para que ocorram quedas durante qualquer atividade em qualquer idade, o controle postural deve estar prejudicado em relação a quanto ele é solicitado. Quedas que ocorrem durante atividades rotineiras sugerem maior prejuízo do controle postural.
Quando alguém sofre um AVC (derrame), o sistema do equilíbrio fica desregulado. Alguns não voltam mais a caminhar. Mas, felizmente, a maioria dos sobreviventes de um AVC volta a andar. Porém, fica visível a dificuldade que há no mecanismo de equilíbrio, pela dificuldade que ocorre em efetuar o reequilíbrio constante.
Minha pretensão com este texto é esclarecer aos leitores a complexidade e importância de podermos nos reequilibrar constantemente. Sem este processo, certamente não poderíamos caminhar e desenvolver em sua plenitude as atividades diárias da vida.

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