quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Fisioterapeutas, vamos sobreviver?

Uma profissão só sobrevive se aceitar a obrigação de basear seus julgamentos no conhecimento. Rothsthein (1985), afirma que sem uma base científica para o processo de avaliação e mensuração, enfrentamos o futuro como profissionais incapazes de nos comunicar uns com os outros, incapazes de documentar a eficácia e de exigir credibilidade científica para nossa profissão.
É notável o empenho dos pesquisadores fisioterapeutas na busca do aperfeiçoamento de técnicas de tratamento, ou na busca de novas formas de terapia para os mais diversos distúrbios do movimento humano. No entanto, observo que há uma carência de pesquisas com foco na avaliação físico funcional. Acredito que para termos uma boa terapêutica devemos possuir um bom diagnóstico que definirá o tratamento e permitirá o acompanhamento da evolução do quadro físico funcional.
Boa parte das pesquisas utiliza tecnologia de alto custo operacional e financeiro, nada acessível para os clínicos, restringindo a prática. Não sou pesquisador, mas o objetivo da pesquisa não é de facilitar o cotidiano dos profissionais?
Mas o progresso vem aliado à tecnologia de alto custo e não sendo possível o descobrimento de alternativas menos dispendiosas, deve-se encontrar outras possibilidades. Talvez o caminho seja empresas/laboratórios de diagnóstico do movimento humano, como são os laboratórios de análises clínicas e os de imagem.  Assim, o diagnóstico físico funcional de alto padrão será possível.
Com diagnósticos bem definidos por equipamentos cientificamente aceitos, as dúvidas sobre procedimentos, melhora ou piora dos pacientes serão sanadas definitivamente.  O laudo fisioterapêutico terá valor inestimável para a resolução de diversas questões sociais. Afinal, tudo o que fazemos depende dos nossos movimentos. Será esse o nosso futuro?
Um profissional de saúde é alguém que não somente valoriza a qualidade do tratamento fornecido, mas também a qualidade das medidas de resultados que podem demonstrar eficácia.
Os convênios de saúde pagariam estes exames de análise biomecânica do movimento humano (plataformas de força, plataformas de equilíbrio, dinamômetros de preensão, equipamentos isocinéticos, eletrogoniômetros, acelerômetros, análise tridimensional do movimento, entre outros)?
Qual seria o custo para avaliações particulares?
A popularização desses equipamentos deve ser de interesse de seus fabricantes, pois venderiam mais.  Mas para isso os preços dos equipamentos deveriam reduzir.
É viável financeiramente montar uma empresa de análise do movimento humano?
Vamos sobreviver?
São questões que certamente serão respondidas nos próximos anos.

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