domingo, 13 de outubro de 2013

DIA DO FISIOTERAPEUTA

Parabéns aos colegas fisioterapeutas pelo nosso dia, 13 de outubro.
Fisioterapeutas guerreiros incansáveis pelos seus pacientes.
Agradeço aos meus mestres pelo aprendizado!
Agradeço a minha família pela paciência nas minha ausências!
Agradeço aos pacientes e familiares por me escolherem como seu fisioterapeuta. É uma honra atendê-los.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Envelhecimento Ativo

Introdução
 
Esta é uma nova visão estratégica do envelhecimento que se aplica tanto ao nivel individual quanto a sociedades que envelhecem - ja que é uma visao que busca garantir qualidade de vida à medida que a população envelhece. O termo “ativo” se refere à continuidade da participação na vida social, cultural, espiritual, cívica e não apenas ser fisicamente" ativo" para participar da força de trabalho. O envelhecimento ativo pode ser abordado como uma política de Direitos Humanos voltada para os idosos, e envolve independência, participação, dignidade, acesso a cuidados. Muda a visão estratégica baseada nas necessidades de cuidados para uma baseada nos direitos de igualdade de oportunidades e de tratamento. Considera a responsabilidade dos idosos de exercerem suas participações no processo político, social, comunitário à medida que há manutenção da autonomia (capacidade de tomar decisões pessoais) e independência (realizar funções relativas à vida diária).
 
Abordando o envelhecimento ativo dentro da perspectiva do curso de vida
 
É reconhecido que o grupo de pessoas chamadas idosas não é homogêneo, e as diferenças interindividuais tendem a aumentar com a idade. Com o envelhecimento observa-se o aumento das chamadas “doenças não notificadas compulsoriamente” que são as maiores responsáveis pela morbidade, deficiências e mortalidade no idoso em todas as regiões do mundo, incluindo os países em desenvolvimento. Algumas doenças crônicas são particularmente implicadas no aumento de morbidade e mortalidade dos idosos, a saber: doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral, câncer, doenças pulmonares obstrutivas crônicas, transtornos mentais, cegueira ou prejuízo da visão. Muitas destas doenças são passíveis de prevenção e a falha desta resulta em altos custos sociais e econômicos.
Pesquisas mostram que as origens de alguns destes fatores de risco (diabetes, doenças cardiovasculares) têm início na infância. O impacto de tais fatores de risco é variavel e depende das condições sócio-econômicas nas quais o indivíduo está inserido.
Políticas voltadas para o envelhecimento ativo devem reconhecer a importância do encorajamento e da delegação de responsabilidade ao indivíduo pelos seus cuidados, criar ambientes amigáveis e estimular a solidariedade entre diversas gerações.
Isso significa que cada indivíduo e sua família devem se planejar e se preparar para a velhice, e dirigir esforços para adotar uma postura pessoal positiva voltada para a saúde em todas as fases da vida. Ao mesmo tempo, a criação de ambientes adequados são necessários para tornar as escolhas saudáveis em escolhas fáceis.
 
Determinantes do envelhecimento ativo: evidências
 
· Determinantes transversais: Gênero e Cultura. A cultura na qual o indivíduo está inserido molda sua forma de envelhecer considerando-se que valores culturais e tradições permeiam a visão que a sociedade tem do envelhecimento. Sociedades que tendem a atribuir mais doenças e sintomas ao idoso são menos propensas a prevenir ou detectar precocemente doença. O gênero é um viés por onde se considera a propriedade ou não de determinadas políticas e como elas vão afetar o bem estar de homens e mulheres. Tradicionalmente as mulheres têm função de cuidadoras de família, e isso aumenta a possibilidade de pobreza e morbidade na faixa mais idosa. Por outro lado os homens são mais expostos a lesões debilitantes ou morte por violência, doenças ocupacionais e suicídio. Ainda têm maior chance de desenvolverem hábitos de risco tais como fumo, consumo abusivo de álcool e drogas.

· Determinantes relacionados ao sistemas de serviços de sáude e social. Para promover um envelhecimento ativo os sistemas de saúde precisam ter em conta uma perspectiva voltada para todo o curso de vida visando a promoção de saúde, prevenção de doenças e acesso homogêneo aos serviços de saúde e de cuidados em geral.

· Determinantes comportamentais. A adoção de estilos de vida saudáveis e a participação ativa no próprio cuidado é importante em todos os estágios da vida. E nunca é tarde para iniciar este comportamento, segundo mostram as pesquisas. Assim sendo hábitos como tabagismo, sedentarismo, alimentação, saúde oral, alcoolismo devem ser mudados a qualquer momento, sabendo-se que resultarão em benefícios.

· Determinantes relacionados ao próprio indivíduo. a)Genética: A principal razão pela qual os idosos adoecem mais do que os jovens é que, devido às suas longas vidas, eles já foram expostos a fatores externos, comportamentais e ambientais, que tendem a se acumular. Enquanto o componente genético pode estar envolvido na causalidade de algumas doenças, para muitas a causa é ambiental. b) Fatores psicológicos: Inteligência e capacidade cognitiva são fortes preditores de um envelhecimento ativo e de longevidade. O envelhecimento por si só pode levar à alteração do perfil cognitivo com lentificação do processamento em geral e do aprendizado de coisas novas, que são em geral compensados pela experiência adquirida durante a vida. O declínio cognitivo frequentemente é deflagradao por “desuso”, doenças (pex. depressão, demências), fatores ambientais (uso de álcool ou remédios indevidamente), fatores psicológicos (falta de expectativa e de motivação), fatores sociais (solidão e isolamento), e não pela idade por si só. Boa capacidade de adaptação às mudanças em geral predizem melhor adaptação a intercorrências frequentes nesta faixa etária tais como aposentadoria, perdas, doenças.

· Determinantes relacionados ao ambiente físico. Ambientes físicos inadequados podem fazer a diferença entre a dependência e a independência para qualquer indivíduo, especialmente para o idoso. Inclui meios de transportes, urbanização, arquitetura dos ambientes, acesso aos serviços e facilidade em utilizá-los, condições de saneamento.

· Determinantes relacionados ao meio social. a) Suporte social – Organizações não-governamentais, indústria privada, serviços profissionais voltados para saúde e serviços sociais podem ajudar a manter redes sociais para idosos. Este programas devem abordar o aspecto inter-geracional e o preparo de voluntários. b) Violência e abuso – para prevenção é preciso que haja uma abordagem multidisciplinar envolvendo a justiça, serviços sociais e de saúde, líderes espirituais, advogados e os idosos. É preciso também que os profissionais que lidam com idosos saibam identificar sinais de abuso. c) Educação – Baixa escolaridade é associada com aumento dos riscos para deficiências e morte entre idosos, assim como para o desemprego. A educação precoce combinada com oportunidades de aprendizado pela vida toda pode ajudar as pessoas a manterem a confiança e as habilidades que necessitam para se adaptarem quando envelhecerem. Pontes de aprendizado entre gerações devem ser criadas propiciando a transmissão de valores culturais e promovendo benefícios para todas as idades. Estudos mostram que jovens que aprenderam com idosos tem atitudes mais positivas e realísticas quanto à geração mais velha.

· Determinantes econômicos. a) Ganhos –  são mais vulneráveis as mulheres idosas onde os rendimentos tendem a ser menores; ainda estas raramente têm uma poupança ou aposentadoria digna. Idosos que não tiveram filhos ou aqueles que não têm relações familiares têm um futuro incerto e ficam mais vulneráveis ao desabrigo e desamparo. b) Proteção social – na maior parte dos países os idosos são amparados pela família. Porém  com o desenvolvimento vem aumentando a tendência do idoso a morar só. Em contrapartida nos países em desenvolvimento não é raro o idoso sustentar a família com sua pensão.  Assim, a seguridade social deve ser vista como uma importante meta. c) Trabalho – este deve ser visto de uma forma mais abrangente, não devendo ser restringido à idéia da atuação no mercado formal, onde se tende a desvalorizar os demais afazeres. O idoso pode, e em geral tem como função, cuidar da casa, de crianças, de doentes para que os adultos possam trabalhar. Isto ocorre tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento.

Desafios para propiciar à população um envelhecimento ativo
 
Acompanhar a mudança do perfil de adoecimento com redução das doenças agudas tendência ao predomínio das doenças não compulsoriamente notificadas. Isso significa que prevenir e cuidar acabam sendo mais relevantes do que curar.
Atuar sobre os fatores de risco para as deficiências, como as doenças crônicas, sem esquecer que educação e as condições de vida, sociais e ambientais são importantes.
Mesmo quando existem lesões ou perdas funcionais, se o ambiente é favorável o idoso pode manter sua independência.
Dar condições para o idoso manter seus cuidados. Isso inclui desde a criação de sistemas de atendimento em geral (pex. saúde, bancário, comércio) mais amigáveis e afinados com esta faixa etária, até estruturas que possam dar suporte quando há perda de independência.
Informações sobre o envelhecimento ativo devem ser incorporadas aos currículos e programas de formação de todas as áreas profissionais.
Dar maior suporte às mulheres idosas considerando-se que estas têm tendência maior a terem sido expostas a fatores de risco para perda da independência e autonomia (baixa escolaridade, pouco contato com trabalho, com administração financeira, e com outras atividades em geral) e também à pobreza e ao desamparo, considerando-se que neste grupo há maior chance de ausência de fonte de renda garantida e viuvez.
Dirimir preconceitos e rever questões éticas  – o idoso é discriminado em vários ambientes, quer por outros indivíduos, quer pela própria estrutura que o impede de ter liberdade de estar e ir onde quiser. Ainda podem estar sendo vítimas de abusos, fato não raro nesta faixa etária. Advogados devem estar preparados para lidar com estas questões.
A sociedade deve se planejar para enfrentar a velhice evitando assim que o envelhecimento populacional leve a uma explosão no sistema de saúde e de seguridade social. Sociedades que sabem se planejar podem enfrentar este problema sem traumas.
 
“ACTIVE AGEING - A Policy Framework” – WHO (2002)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Síndrome de Pusher


O que significa Síndrome de Pusher?

            O nome dessa síndrome deriva de um sintoma evidente: o ato de EMPURRAR.

            Grande parte dos estudos concernentes à reabilitação dos pacientes com hemiparesia (sequela do Acidente Vascular Cerebral ou derrame como é mais conhecido) mostraram que a maioria são capazes de alcançar a marcha independente, não importando a qualidade do padrão de marcha.

            Existe um pequeno grupo de pacientes que demonstram grande dificuldade em alcançar a independência deambulativa, apresentando, também, outras dificuldades em comum. Essas dificuldades são tão uniformes que são classificadas como uma síndrome, a “Síndrome de Pusher”.

Quais são os sintomas típicos desta síndrome?

            O grau de dificuldade variará de paciente para paciente, e nem sempre se relaciona com uma perda de movimento ativo. Alguns podem ter movimentos seletivos na mão e pé hemiparéticos apesar de manifestações acentuadas da síndrome. Quando o paciente apresenta um ou dois dos sintomas, os outros estarão também presentes, em graus variados. Os sintomas são:

1.    A maioria são de hemiparéticos esquerdos. Entretanto, quando os sintomas são observados em um caso de hemiparesia direita de longa duração, o paciente ou terá uma afasia ou nenhum problema de fala absolutamente.

2.    A cabeça está virada para o lado são.

3.    A capacidade da pessoa perceber os estímulos que chegam pelo seu lado parético está reduzida em todas as suas modalidades: táteis, visuais, auditivas e cinestésicas.

4.    Carência de expressão facial.

5.    Voz monótona.

6.     Deitado em supino, o paciente mostra um alongamento do seu lado parético da cabeça ao pé. No tronco é mais perceptível.

7.    Quando deitado, o paciente segura-se, fortemente, com sua mão sadia, demonstrando intenso medo de cair.

8.    Quando ambos os joelhos são fletidos com os pés apoiados sobre o leito, eles inclinam para o lado hemiparético. Uma resistência acentuada é sentida ao tentar virar os joelhos para o lado sadio.

9.    Sentado, as dificuldades tornam-se óbvias. A cabeça é mantida rígida para o lado sadio. O tronco está fortemente encurtado no lado sadio. No entanto, o peso permanece sobre o lado afetado. Resistência é encontrada quando é feita uma tentativa para transferir o peso para o lado sadio.

10. Transferir o paciente para uma cadeira colocada do seu lado sadio é difícil, porque ele empurra para trás e para longe da perna sadia, a qual o sustentaria.

11. Sentado na cadeira de rodas o paciente adota uma postura típica. Tronco fletido, cabeça virada para o lado são e o membro superior sadio mantém atividade constante, empurrando contra o braço da cadeira. O paciente senta mais para o lado esquerdo da cadeira.

12.  Quando se inclina para frente a fim de ficar em pé ou transferir-se ao leito, o paciente puxa para o lado hemiparético, embora o seu tronco esteja acentuadamente encurtado no lado sadio. O seu pé afetado pode deslizar para trás por debaixo da cadeira, ou não evidencia qualquer atividade.

13.  Em pé, o centro de gravidade está totalmente deslocado para o lado hemiparético. Embora o terapeuta esteja com dificuldade para mantê-lo ereto, o paciente não demonstra medo da queda. Isto ocorre pelo fato dele ter a imagem corporal distorcida.

14. O paciente tem dificuldade para dar um passo com o membro afetado porque ele é incapaz de transferir o seu peso para o membro sadio. Dar o passo com o membro são é difícil devido ao suporte extensor inadequado no membro hemiparético. Se for possível a marcha, o membro afetado aduz-se tão fortemente que pode cruzar pela frente do outro membro (“marcha em tesoura”).

15. Os paciente que não tem afasia tendem a falar muito e a oferecer muitas explicações para suas falhas de desempenho.

Fonte: Patricia Davies

 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Doença de Parkinson


A doença de Parkinson é uma síndrome extrapiramidal, degenerativa, na qual há perda progressiva de células da substância negra do mesencéfalo. Ainda não se sabe a etiologia desta enfermidade.

A degeneração de neurônios da substância negra resulta na diminuição da produção de dopamina, com destruição da via nigroestriatal. Acredita-se que a perda do impulso dopaminérgico no estriado seja o fator responsável pela principal sintomatologia da doença. Do ponto de vista da disfunção do circuito dos gânglios da base, observa-se perda de ação inibitória do segmento lateral do globo pálido sobre o núcleo subtalâmico, bem como existe uma ação hiperexitatória do núcleo subtalâmico sobre a parte medial do globo pálido, cujo resultado final será uma menor ação excitatória do tálamo sobre o córtex motor, determinando a síndrome rígido-acinética.

Os sintomas e sinais cardeais desta enfermidade são tremor de repouso, bradicinesia, rigidez muscular (podendo ter sinal de roda denteada) e instabilidade postural. Outros sinais clínicos de importância são: distúrbios da marcha, fáceis em máscara, alteração da voz, disartria, hiperidrose, sialorréia, seborréia, câimbras, dores, parestesias, disfagia, incontinência urinária, obstipação intestinal, micrografia, depressão e demência.

Com a progressão da doença, esses sintomas levam à perda progressiva da capacidade da marcha, aumentam a postura em flexão e, eventualmente, levam ao confinamento em cadeira de rodas ou no leito. Juntamente com esses fatores, a rigidez dos músculos abdominais e a falta de movimento do tronco diminuem a expansão torácica e, consequentemente, também a capacidade vital.

 

sábado, 24 de agosto de 2013

HÁ VIDA APÓS O AVC!

Áurea Lima importa-se bem menos do que os outros se o lado direito do corpo está paralisado ou se carrega 68 anos de idade. Porque ao contrário do que muitos poderiam prever há três anos, quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ela renasceu.
Para acessar a casa-ateliê da artista plástica, numa ruela de paralelepípedos da Vila Mariana absolutamente embebida pelo silêncio solene da vizinhança, é preciso subir. Cerca de quinze degraus de cimento separam a porta de entrada, na rua da Mantiqueira, do reduto da artista plástica logo acima; e mais outros quinze amadeirados, no interior da casa, isolam a cozinha e a sala, dos quartos no piso superior.
Todos os dias, Áurea dispensa educadamente qualquer tentativa de apoio de outras pessoas no sobe-e-desce. Com agilidade, administra as subidas e descidas das escadas por conta própria. Nem perca tempo oferecendo a mão, só há espaço para ela – e, quando muito, para a extensão do corpo, a bengala.
Feito uma criança que, na tentativa e no erro, aprende a caminhar, falar, ler e firmar os talheres entre as mãos, ela se agarra aos pequenos desequilíbrios diários em compromisso às reinvenções determinadas para si. Mulher versada na arte e no desejo de reeditar-se, adotou o lema que define a busca pela perfeição do traço: “Um dia, eu chego lá”.
Enquanto o “lá” não chega, a artista plástica se vê às voltas com os arroubos de pintura que, após mais de um ano adormecidos, voltaram a invadi-la. E já não lhe largaram desde o final de 2011, quando o luto do AVC deu lugar à reconciliação com a arte, seara de onde Áurea nunca poderia, sequer conseguiria, escapar.
Áurea não se deixou intimidar pelo braço direito paralisado. Mais por instinto do que consciência, driblou a desvantagem quando deu voz à insistente e apressada angústia por pintar. Àquela altura, o desejo emergiu como a ânsia de um vômito. Já não importava a limitação. Foi assim que, não se sabe como, Áurea se deu conta da poderosa combinação entre o amor pela arte e a sua mais nova mediadora: a mão esquerda.
À revelia do AVC nesse meio tempo, continuou fiel ao resoluto ímpeto de alimentar novos hábitos. Assim, criou gosto por bronzear-se no terraço do quarto, mergulhar na poltrona para assistir filmes na televisão, mudar móveis e caixas de canto ou, simplesmente, perder-se no estado de transe atingido apenas quando se senta com o pincel na mão diante da tela. Somente ali, em contato direto com a arte, é capaz de ensaiar passos de bailarina, imaginar-se em meio à multidão na rua, recriar amigos e familiares, inventar shows particulares com Marisa Monte e conversar com Jô Soares. Porque pintar, para Áurea Lima, é “viajar, viajar e viajar. É motivação para eu estar bem todos os dias. Pintar é tudo”.
O desejo engavetado de dançar, feito as bailarinas que há anos rodopiam com os movimentos dos pincéis, pode ser mais um aliado à motivação diária da artista fora das telas. Questionada se a vontade antiga de dançar persiste, Áurea abrevia a primeira resposta num imediato e impensado “não”, para logo emendar, após um longo silêncio grávido de desejo: “Sim!”. A confidência verteu, mais uma vez durante a conversa, de braços dados a um dos tantos sorrisos adocicados da artista de lábios vermelhos.
Com o olhar cândido, Áurea dispensa sem sobressaltos o medo do tempo, das rugas e da morte. Prefere observar o envelhecimento no mesmo patamar da sabedoria. “Cada ano, você vai tendo novas experiências. Ficar velho é inevitável. É como a morte, a gente tem que olhar de um jeito mais humano, seja lá o que for”, ensina. Ela curte o hoje, filosofa Cláudia.  E mesmo quando impelida a se imaginar daqui a cinco anos, não hesita na resposta: “Velhinha. Muito velhinha. Pintando”.

Fonte: Portal do Envelhecimento.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Incontinência Urinária

A International Continence Society (ICS) define incontinência urinária (IU) como queixa de qualquer perda involuntária de urina. A IU entre idosos é um achado comum e é muitas vezes erroneamente interpretada como parte natural do envelhecimento. Alterações que comprometem o convívio social como constrangimentos, perda da autoestima, depressão e isolamento, frequentemente fazem parte do quadro clínico, implicando problemas psicológicos e sociais para os pacientes e familiares.
Embora possa ocorrer em todas as faixas etárias, a incidência da incontinência urinária aumenta com o decorrer da idade. Calcula-se que oito a 34% das pessoas acima de 65 anos possuam algum grau de incontinência urinária, sendo mais prevalente em mulheres. Aproximadamente 10,7% das mulheres brasileiras procuram atendimento ginecológico queixando-se de perda urinária.
Uma estimativa recente sobre custos diretos anuais relacionados à incontinência urinária em todas as idades apresenta valores que giram em torno de 16 bilhões de dólares nos Estados Unidos, sendo maior do que os custos diretos anuais para o câncer de mama, ovário, útero e colo de útero combinados.
De acordo com Subak, além dos custos econômicos, a IU afeta substancialmente a qualidade de vida. É necessário que o tratamento seja efetivo, a fim de gerar diminuição dos gastos e melhora da qualidade de vida da paciente.
A IU determina repercussões importantes nos aspectos físicos, mentais e sociais das mulheres incontinentes. Quanto às repercussões sociais, a IU impede a mulher de sair de casa, ir a festas e ao clube, fazer viagens longas, frequentar a igreja e participar de atividades físicas, como caminhar, correr, jogar e dançar. Pode ter como consequência o afastamento social do indivíduo pelo constrangimento causado por esta doença.
Entre as principais consequências relacionadas à saúde física, destacam-se: a insuficiência renal, infecção do trato urinário, sepsemia, aumento do risco de quedas e fraturas, maceração da pele e formação de feridas, fator higiênico além da interferência na vida sexual, nas tarefas domésticas e no trabalho. A IU também pode estar relacionada a alterações no âmbito da saúde mental, através da depressão e perda da autoestima. Além disso, interfere negativamente, na qualidade de vida de muitas delas.
Para que não ocorra incontinência urinária, é necessário que haja um funcionamento adequado do aparelho urinário inferior, que implica integridade anatômica e dos centros e vias nervosas, que coordenam a ação da musculatura lisa e estriada do aparelho urinário e do pavimento pélvico.
Dentre os vários tipos de IU, destacam-se: a incontinência urinária de esforço (IUE), a urge-incontinência ou bexiga hiperativa (BH) e a incontinência urinária mista (IUM), caracterizada pela incontinência urinária de esforço associada à bexiga hiperativa.
Segundo a ICS, a IUE é caracterizada pela perda involuntária de urina durante o esforço, por meio de exercícios físicos, espirro ou tosse, ou seja, ocorre quando está associada a qualquer atividade que aumente a pressão intra-abdominal. Ocorre devido a uma deficiência no suporte vesical e uretral que é feito pelos músculos do assoalho pélvico e/ou por uma fraqueza ou lesão do esfíncter uretral.
Em 2002, a ICS redefiniu a bexiga hiperativa (BH) como uma síndrome de urgência, com ou sem urge-incontinência (perda urinária involuntária acompanhada ou imediatamente precedida de urgência), frequentemente associada com o aumento da frequência urinária e, não de forma obrigatória, à presença de noctúria. Esta definição pode ser utilizada caso não haja quadro de infecção ou outras patologias associadas. A ICS ainda caracteriza a BH pela presença de contrações involuntárias do músculo detrusor, espontâneas ou provocadas, durante o período de enchimento vesical.
TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO DA IU
A fisioterapia, como forma abrangente de tratamento, visa a prevenção e tratamento curativo da IU por meio da educação da função miccional, informação a respeito do uso adequado da musculatura do assoalho pélvico, bem como o aprendizado de técnicas e exercícios para aquisição do fortalecimento muscular. São objetivos principais da fisioterapia a reeducação da musculatura do assoalho pélvico e seu fortalecimento, visto que, na maioria dos tipos de incontinência urinária, está presente uma redução da força desta musculatura.
A reabilitação do trato urinário inferior (TUI) é definida como terapêutica não cirúrgica e não-farmacológica para restabelecimento da função adequada do TUI. Entre as principais modalidades de tratamento fisioterapêutico da incontinência urinária, encontram-se: o biofeedback, mudanças comportamentais, a eletroestimulação neuromuscular, os cones vaginais e a cinesioterapia.
O biofeedback é um aparelho cuja técnica possibilita que a informação sobre o processo normal, fisiológico e inconsciente da contração muscular do assoalho pélvico, seja introduzida ao paciente e/ou ao terapeuta como sinal visual, auditivo ou tátil.
A modificação comportamental é definida como a análise e alteração do relacionamento entre os sintomas da paciente e o seu ambiente, com o objetivo de tratar os modelos de micção inadequados ou mal adaptados. Estas modificações podem ser obtidas por modificação comportamental da paciente ou do ambiente em que ela vive.
A eletroestimulação neuromuscular (EENM) é a aplicação de corrente elétrica que estimula a inervação da víscera pélvica ou o suprimento de sua inervação. O objetivo da EENM é induzir diretamente uma resposta terapêutica ou passar a modular as disfunções do TUI, intestinais e sexuais.
Os cones vaginais foram desenvolvidos por Plevnik em 1985. Ele demonstrou que a mulher pode melhorar o tônus da musculatura pélvica introduzindo na cavidade vaginal cones de material sintético, exercitando a musculatura do períneo na tentativa de reter os cones e aumentando progressivamente o peso dos mesmos.
A cinesioterapia do assoalho pélvico compreende basicamente na realização dos exercícios de Kegel, que objetiva trabalhar a musculatura perineal para o tratamento da hipotonia do assoalho pélvico. Kegel & Powel foram os primeiros pesquisadores nos Estados Unidos a prescrever exercícios específicos para o fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico. O objetivo básico dos exercícios para fortalecimento da musculatura pélvica é o reforço da resistência uretral e a melhora dos elementos de sustentação dos órgãos pélvicos.
O fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico através da reeducação perineal tem-se revelado apropriada numa série de mulheres com incontinência urinária, constituindo a base da terapêutica conservadora.
Visto que a população idosa vem aumentando significativamente ao longo do tempo e isto predispõe a um aumento da prevalência da IU, percebe-se a importância do tratamento conservador.

FONTE: Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. v.14 n.2 Rio de Janeiro  2011

PILATES PARA IDOSOS

Envelhecer é um processo lento e progressivo. Ninguém envelhece da noite para o dia. Como estas mudanças acontecem de forma contínua e não eventual, é necessário adaptar-se a elas durante toda a vida.

São muitos os benefícios proporcionados pelo Pilates aos idosos: alívio da dor, principalmente as lombares, maior percepção dos movimentos, fortalecimento muscular, maior equilí...brio, aumento da flexibilidade (musculatura mais alongada), alívio do estresse, entre outros. A grande vantagem está na melhora da auto-estima do praticante, uma vez que ele consegue realizar uma série de exercícios físicos que até então não se julgava capaz.

Mais força, maior controle muscular, melhor capacidade respiratória e melhor circulação, maior flexibilidade, musculatura mais alongada, tonificada e definida, postura mais correta, mais consciência corporal, maiores equilíbrio e coordenação, alívio do estresse, da fadiga e de dores musculares e melhor saúde das articulações são alguns dos ganhos enumerados. Tudo em benefício dos mais idosos ou de quem tem algum problema de saúde que causa limitações físicas.

Fazer Pilates não é mérito só de pessoas mais jovens. O Pilates oferece um atendimento personalizado para idosos, realizando um trabalho corporal direcionado às pessoas com limitações físicas de acordo com a idade.

O método vem sofrendo aperfeiçoamentos no mundo, mas envolvendo sempre os princípios de controle, precisão, concentração e respiração. Para Pilates, o método permitiria a autonomia dos movimentos corporais, correção da postura e o revigorar da mente.

O aumento do equilíbrio corporal também é um grande avanço, já que o idoso tem seu equilíbrio comprometido devido à idade. Tudo isso sem nenhum risco de lesão corporal, já que Pilates é um trabalho aplicado com uma grande margem de segurança, não cansa e não causa dores musculares posteriores.
O maior equilíbrio muscular possibilita realizar com mais conforto as tarefas do dia-a-dia. Dá mais energia.

O respeito aos limites do corpo evita lesões e desgaste físico; a respiração correta aumenta a capacidade pulmonar e melhora a circulação.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Quem Gosta de Cama é Colchão

A primeira providência que muitos de nós tomamos, quando estamos cansados e doentes é procurar uma cama para deitar. Realmente, o descanso e o sono são grandes remédios e reparam nossas forças e energias, na busca de uma melhor convalescência. Como diziam os antigos: “Nada melhor para curar uma gripe do que vitamina C e cama!”
Num processo de envelhecimento mais patológico, o idoso apresenta algumas doenças sérias, onde a dificuldade de andar e o desequilíbrio podem estar presentes,  levando a família e os cuidadores a deixá-lo na cama, por um período muito grande do dia. “Coitadinho, ele está tão fraquinho!”, “…o doutor recomendou repouso, portanto CAMA!”
Existe na geriatria e na gerontologia uma grande preocupação em reabilitar estes idosos mais debilitados, seja por fraturas de colo de fêmur, sejam pelas fases mais avançadas de Parkinson e Alzheimer, seja por uma isquemia cerebral séria, enfim qualquer doença que incapacite severamente o idoso.
Deixar um idoso dependente acamado na maior parte do dia, é deixar que alguns problemas sérios e incapacitantes ocorram. São eles:
  • escaras ou úlceras de pressão e decúbito (aqueles ferimentos na região glútea e nas coxas).
  • prisão de ventre severa.
  • incontinência urinária.
  • se levanta sozinho, o idoso pode cair com mais facilidade, quebrando a perna… ficando mais imobilizado…
  • o idoso fica mais confuso, mais depressivo, a memória falha mais…
  • normalmente, o idoso que fica acamado toma muito mais medicamentos.
  • maior tendência à infecções urinárias e à pneumonias.
  • encurtamentos musculares podem ocorrer.
  • deformidades articulares podem acontecer.
  • os pulmões ficam mais frágeis e suscetíveis a infecções.
“QUEM GOSTA DE CAMA É COLCHÃO!” A retirada paulatina do idoso imobilizado no leito é feita através de reabilitação. E REABILITAÇÃO se faz, na medida do possível, com uma equipe multidisciplinar. O geriatra orientando em relação às doenças e seus tratamentos, o fisioterapeuta reabilitando e retirando este idoso da cama, a enfermagem cuidando e ensinando a cuidar, a nutrição orientando uma dieta balanceada. É assim que se faz, é assim que reabilitamos e tiramos nosso idoso da cama. Sua qualidade de vida irá melhorar muito!

Texto de Márcio Borges - médico geriatra

terça-feira, 14 de maio de 2013

Exercícios contra o mal de Alzheimer

Pacientes com Alzheimer deveriam fazer fisioterapia desde o inicio do diagnóstico. Embora na fase leve a doença atinja apenas a parte cognitiva e comportamental do doente, a fisioterapia pode colaborar com a diminuição do avanço da doença. Os exercícios podem minimizar quedas, danos motores e prolongar a independência dos pacientes.


Em uma pesquisa realizada recentemente na Faculdade de Medicina da USP, foi demontrado que a fisioterapia é importante para diminuir a progressão da doença. Por meio de exercícios, pode-se manter o paciente na mesma fase da doença pelo maior tempo possível. O treino das atividades do dia-a-dia, como subir escadas ou escovar os dentes, ajuda a melhorar o equilíbrio, diminuindo a dependência dos idosos. O fortalecimento muscular também ajuda na prevenção de quedas. Os fisioterapeutas também são importantes para orientar os cuidadores a fazer as adaptações necessárias  na casa do paciente, como a instalação de barras de apoio no box do banheiro, a retirada de tapetes e uso de iluminação adequada para facilitar sua locomoção e diminuir os riscos de quedas. Os idosos já possuem normalmente, alterações de equilíbrio, mas naqueles que têm a doença de Alzheimer elas são ainda maiores.


Na fase mais avançada da doença, quando o paciente passa a maior parte do tempo restrito ao leito, a fisioterapia é importante tanto para orientar os cuidadores sobre como transferir corretamente os doentes na cama quanto para minimizar as complicações da síndrome do imobilismo. Entre as possíveis conseqüências desse problema estão o encurtamento dos músculos e a perda da força muscular, o surgimento de ulceras por pressão (escaras), trombose, prisão de ventre e pneumonia, entre outros.


Quedas e equilíbrio


A pesquisa analisou 48 idosos com Alzheimer (25 na fase leve e 23 na moderada) e 40 idosos saudáveis. Além de um questionário, respondido pelo familiar, sobre quedas e atividades cotidianas, foram feitos testes de equilíbrio que simularam movimentos do dia-a-dia, como apoiar os pés no degrau, por exemplo. Em relação ao equilíbrio, os pacientes com Alzheimer na fase leve não apresentaram resultados muito diferentes dos saudáveis. Os que estavam num estágio mais avançado da doença tiveram maior perda de estabilidade. A capacidade de execução de tarefas diárias foi diminuindo com a progressão da doença.


O estudo comparou o número de quedas de idosos saudáveis com o de pacientes com Alzheimer: enquanto 45% dos primeiros sofreram pelo menos uma queda no ano anterior, nos com a doença o número foi de 50%. “Quedas em idosos são sempre um problema grave. Elas podem causar hematomas e fraturas, levando até a cirurgias e hospitalização. Além disso, a instabilidade e o medo de novas quedas podem aumentar a dependência, o que ainda é mais grave nos idosos com Alzheimer.


Os idosos com diagnóstico de Alzheimer na fase leve apresentaram mais quedas que os na fase moderada. Isso acontece porque eles ainda se expõem mais. Os que estão num estágio mais avançado da doença já andam sempre acompanhados e normalmente não se lembram de terem caído quando estavam sozinhos. Também é importante evitar o uso excessivo de remédios para alterações do comportamento e agressividade, comuns nessa doença. Esses medicamentos podem facilitar as quedas, aumentando o desequilíbrio e provocando grande sonolência – o que deixa o idoso menos ativo, diminui sua força muscular e traz maior dependência.

Fonte: agência USP de notícias.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Desidratação

Desidratação é uma doença potencialmente grave que se caracteriza pela baixa concentração não só de água, mas também de sais minerais e líquidos orgânicos no corpo, a ponto de impedir que ele realize suas funções normais. A enfermidade pode ser secundária a diarreias agudas e afetar pessoas de todas as idades, mas é mais perigosa para as crianças (especialmente recém-nascidos e lactentes) e para os idosos.
Causas
A desidratação ocorre se a água eliminada pelo organismo através da respiração, suor, urina, fezes e lágrimas, não for reposta adequadamente. Isso pode acontecer quando a ingestão de líquidos é insuficiente, nos quadros de vômitos, diarreias e febre, nos dias de muito calor por causa da transpiração excessiva, nos portadores de diabetes em função do aumento do número de micções e pelo descontrole no uso de diuréticos.
Sintomas
A desidratação pode ser classificada, segundo o grau de gravidade, em leve, moderada e grave. São sinais clássicos da desidratação leve e moderada a sede exagerada, boca e pele secas, olhos fundos, ausência ou pequena produção de lágrimas, diminuição da sudorese e, nos bebês, a moleira afundada. Dor de cabeça, sonolência, tonturas, fraqueza, cansaço e aumento da frequência cardíaca também podem estar associados aos episódios de desidratação.
Além desses sintomas, que se intensificam com o agravamento do quadro, nos casos de desidratação grave, podem surgir outros, como queda de pressão arterial, perda de consciência, convulsões, coma, falência de órgãos e morte.
Diagnóstico
O diagnóstico de desidratação baseia-se essencialmente na avaliação clínica, mas pode ser necessário realizar alguns exames simples de sangue, fezes e urina para identificar a causa e o grau de gravidade da enfermidade.
Tratamento
Nos casos de desidratação leve e moderada, beber muita água filtrada ou fervida em goles pequenos e intervalos curtos pode ser o suficiente para reidratar o organismo. É importante também manter a pessoa em ambiente com temperatura amena para evitar a perda de água pelo suor.
Nos casos de desidratação grave, que podem ocorrer de uma hora para outra, a reidratação deve ser feita com o soro oral distribuído gratuitamente nos postos de saúde e à disposição nas farmácias. Esse soro pode ser preparado em casa e tem validade de 24 horas depois de diluído em água.
Se houver dificuldade para conseguir o soro para a reidratação nos postos de saúde, é possível preparar o soro caseiro, nas seguintes proporções: 1 litro de água filtrada ou fervida, uma colher rasa de chá de sal e duas colheres rasas de sopa de açúcar.
Recomendações
* Beba bastante líquido, pelo menos dois litros por dia;
* Verifique se as crianças e os idosos estão tomando a quantidade de líquido necessária para manter a boa hidratação do organismo. Nessas faixas de idade, muitas vezes, eles se esquecem de fazê-lo;
* Use roupas leves e evite a exposição direta ao sol nos dias muito quentes;
* Não pratique exercícios físicos nas horas mais quentes do dia;
* Lave bem as mãos antes das refeições e depois de ter usado o banheiro;
* Certifique-se de que os alimentos que serão ingeridos crus foram corretamente preparados.
 
Draúzio Varela

Dengue em Idosos

    Em época de epidemia de dengue, todos devem dobrar a atenção para não adquirir a doença, principalmente os idosos. Segundo o Ministério da Saúde, as pessoas acima de 60 anos têm mais riscos de ter problemas decorrentes da dengue. Em Santos, das quatro pessoas que morreram de dengue, três eram idosos. O geriatra Alberto de Macedo explica porque essa faixa etária está mais vulnerável à doença e como os idosos podem se prevenir da dengue.
    Segundo o Ministério da Saúde, as pessoas com mais de 60 anos têm um risco 12 vezes maior do que outra faixa etária de morrer por causa da doença. Nos primeiros três meses de 2013, 132 mortes por dengue foram registradas no Brasil, sendo que 42% dos casos são de idosos com mais de 60 anos.
    O geriatra Alberto de Macedo explica que o idoso tem uma menor reserva fisiológica, ou seja, diante de uma agressão é mais fácil que ele padeça. "A dengue é uma doença que desidrata e o paciente idoso, mesmo desidratado, não tem sede. A dengue é uma doença que tira a força, então, o paciente com dengue, fica imóvel. A partir do momento que o paciente idoso fica parado, ele passa a desencadear as doenças de quem fica acamado, que são pneumonia e infecção de urina", explica.
Segundo o médico, há pesquisas americanas mostrando porque os idosos são mais suscetíveis a dengue. Há também relatos mostrando que idosos estão mais pré dispostos a terem dengue hemorrágica. "Idosos ficam mais tempo internados e idosos são fatalmente mais portadores de algumas doenças. Essas doenças tendem a complicar diante da dengue", afirma.
 
Orientações
    De acordo com o Alberto de Macedo, diante de sintomas de dengue, a pessoa deve procurar assistência médica, independentemente de filas e problemas de atendimento nos postos de saúde.
    O médico diz que muitas pessoas estão pecando por falta de conhecimento ou por terem informações erradas sobre a dengue. Por isso, ele fala sobre alguns dados importantes para a população. "O fim do verão não afasta a possibilidade de dengue. A parada de febre no terceiro ou quarto dia não quer dizer que o paciente está melhor, que está se curando. Muitas vezes, é nesse momento que apresenta um agravante. O paciente que apresenta náuseas e vômitos, dor de cabeça, tontura, desmaio ou dores abdominais, ele tem que imediatamente retornar ao posto médico. Evite ao máximo a automedicação. As pessoas fazem uso de medicamentos que não são aconselháveis e isso pode agravar", explica.
Macedo fala que na região ainda há várias cidades que estão com epidemia de dengue e que os pronto socorros estão lotados. Mesmo assim, ele pede para que as pessoas não tomem ou deixem de tomar qualquer medicamento sem análise do médico e que insistam e procurem atendimento nos postos de saúde dos municípios.
 
globo.com

quinta-feira, 4 de abril de 2013

RIGIDEZ

     A rigidez, ou perda da extensibilidade, é uma queixa comum dos idosos. A rigidez tem o potencial de limitar várias das atividades funcionais diárias dos idosos, ao interferir com o início e o término dos padrões de movimento.
     As contraturas de desenvolvimento recente apresentam uma porção maior de adesão fibrinosa, ao passo que as contraturas crônicas (idosos acamados, por exemplo) são mais colagenosas. O exercício ativo pode degradar as adesões fibrinosas, mas o encurtamnto do colágeno, amiúde, exige calor profundo, alongamento prolongado, utilização de órteses e, possívelmente, intervenção cirúrgica.
     Principais causas da rigidez:
          - Imobilidade
          - Alterações biomecânicas no tecido conjuntivo
          - Hipocinesia (redução do movimento ativo)
          - Artrite
          - Traumatismos
          - Hipertonia (aumento patológico do tônus muscular)

     Um fator importante a ser considerado quando do alongamento  muscular no idoso é que o tecido responde otimamente ao estiramento lento e prolongado. O geronte precisa de mais tempo para relaxar o tecido conjuntivo devido às alterações nas propriedades biomecânicas, como a substância amorfa e a flexibilidade do colágeno reduzidas. Modalidades de aquecimento que produzem temperaturas teciduais na faixa de 42,5 a 45 graus célcius junto com alongamento prolongado produzem alongamento residual do tendão. As fibras de colágeno precisam ser aquecidas a 42,5 graus célcius ou mais e ter força contínua aplicada a elas durante, pelo menos, 30 minutos (a utilização de órtese é uma boa opção). O ultra-som de 1MHz com intensidade de 1 watts/cm2 durante 10 minutos pode ser utilizado para elevar a temperatura tecidual. 

segunda-feira, 18 de março de 2013

DOR

  Grande parte das pessoas que procuram cuidado fisioterapêutico o faz porque tem dor. Poucos compreendem que se não fosse a analgesia, pouco existiria dos serviços de saúde. Não existiria cirúrgias sem anestesia. Todos os processos diagnósticos ou curativos invasivos necessitam de anestesia ou de algum processo que promova analgesia durante ou depois da intervenção. A qualidade de vida do idoso necessita de uma grande habilidade em saber controlar as mazelas dolorosas.
  A dor é, e sempre será, sintoma e alarme, mas a prática clínica e até as pesquisas básicas têm nos mostrado que em certas situações a dor crônica é a própria doença, que maltrata, e intensamente incapacita nossos pacientes.
   A dor aguda resulta da estimulação nociva intensa, é bem localizada e transitória quando não ocorre dano tecidual e tende para a cura espontânea ou por força da terapêutica. O papel desta dor é bem simples, mas importante, já que informa o corpo sobre o perigo potencial e, via de regra, inicia respostas reflexas de retirada do segmento corporal da fonte do estímulo nocivo.
  A dor crônica ocorre em resposta a lesão tecidual. Este tipo de dor representa um fenômeno de sensibilização nociceptiva, com redução do limiar à dor (sensação de dor ao minímo estímulo nocivo), amplificação da resposta a estímulos nocivos e sensação de dor prolongada e persistente, de caráter contínuo ou intermitente. Mesmo a dor crônica possui uma fase aguda, geralmente associada a dano tecidual e inflamação. Na fase crônica, a dor está geralmente associada a alterações ou danos ao tecido. Nesta condição, a dor perde qualquer função adaptativa ou protetiva e torna-se de fato patológica.
  A dor crônica tem sido um enorme problema para o profissional da área da saúde e uma ameaçadora e insuportável realidade para o doente.

* Analgesia é a abolição da sensibilidade à dor sem supressão das outras propriedades sensitivas, nem perda de consciência.
* Anestesia é o estado de total ausência de dor e outras sensações durante uma operação, exame diagnóstico ou curativo. Ela pode ser geral, isto é, para o corpo todo; ou parcial, também chamada regional, quando apenas uma região do corpo é anestesiada. Sob o efeito de uma anestesia geral, você dorme. Com anestesia regional você pode ficar dormindo ou acordado, conforme a conveniência, embora parte de seu corpo fique anestesiada.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Acidente Vascular Cerebral (AVC)

O AVC se caracteriza por anormalidades no fornecimento de nutrientes, circulação de glicose e oxigênio no encéfalo e que tenham como consequência um comprometimento funcional ou anatômico. Estima-se que entre os casos de AVC, 85% sejam isquêmicos e 15% hemorrágicos. Em ambos, em virtude da perda de função cerebral focal ou global, os indivíduos sobreviventes evoluem com alterações clínicas e físicas importantes.
As sequelas mais comuns são hemiplegia e hemiparesia, alterações da linguagem (fala e memória), alterações que envolvem mudanças na força muscular (fraqueza ou paralisia), no tônus muscular (flacidez ou espasticidade), na ativação muscular (iniciação inadequada, dificuldade para sequenciamento, tempo inadequado para disparo da ação), mudanças sensoriais (consciência, interpretação), mudanças no alinhamento e na mobilidade, no comprimento do tecido muscular e articular, problemas ósseos e posturais, dor e edema, assim como insuficiência de movimentos, movimentos atípicos e compensações indesejáveis.
Em 1990, o AVC já era a segunda causa de óbitos em todo o mundo e a terceira em paises em desenvolvimento. Somente havia mais ocorrência de mortes em razão de doença coronariana. Este tipo de acidente também é a maior causa de incapacidade funcional, danos emocionais e socioeconômicos para os pacientes e seus familiares.
Dos pacientes que sobrevivem ao primeiro mês após o AVC, cerca de 80% apresentam alterações neurológicas, sejam de maior ou menor sequela, e necessitam de tratamento fisioterapêutico para prevenir possíveis complicações decorrentes do acidente e trazer mais independência. Dos 20% restantes, metade tem cura espontânea, e a outra parte, representa a parcela de indivíduos com incapacidades severas. É extremamente importante que a pessoa seja socorrida o quanto antes na tentativa de minimizar os efeitos do AVC.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Declínio de desempenho motor no envelhecimento é específico à tarefa

RESUMO

O declínio de desempenho motor característico do envelhecimento tem sido proposto ter como causa um fator único, originário de deterioração da capacidade de processamento central de informação. Por essa proposição, o desempenho motor em diferentes tarefas deveria ser prejudicado similarmente durante o envelhecimento. Para testar essa hipótese, o desempenho sensório-motor de indivíduos fisicamente ativos entre 19 e 73 anos de idade foi estudado em oito tarefas: tempo de reação, tempo de movimento no contato com um alvo, força manual máxima, sincronização, controle de força, toques repetidos com haste vertical, desenhos seqüenciais e toques entre os dedos. A análise dos resultados indicou perfis variáveis de desempenho entre as tarefas motoras na comparação entre as idades, com declínio motor a uma taxa moderada entre 20 e 60 anos para tempo de reação, quedas mais acentuadas de desempenho na transição entre 20 e 40 anos em tarefas requisitando velocidade de execução de movimentos simples ou precisão temporal, quedas mais acentuadas na transição entre 60 e 70 anos para força máxima e habilidade gráfica e manutenção da capacidade de desempenho com o envelhecimento para controle de força manual. Dessa forma, esses resultados revelam-se contraditórios com a hipótese de fator único e oferecem suporte à hipótese alternativa de que a taxa de declínio de desempenho sensório-motor durante o envelhecimento é específica à tarefa.


Autor:
Luís Augusto Teixeira

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Mobilidade Urbana

Subir e descer escadas são atividades funcionais comuns na vida diária normal. Confiança e competência ao lidar com escadas permite que um indivíduo faça compras, utilize o transporte público, tenha acesso a edifícios públicos e visite amigos e parentes. Considero importante para a mobilidade independente e segura dos idosos pelas ruas e nos transportes públicos das cidades um estudo mais detalhado sobre a altura dos degraus. Na Escandinávia um estudo conduzido por Lundgren e colaboradores (1983), no qual pesquisaram 212 idosos normais, definiram qual altura mais segura do degrau e que seja possível de ser vencido por gerontes. Os pesquisadores identificaram  que todos os indivíduos pesquisados conseguiram subir um degrau de 20cm, porém 26% eram incapazes de subir um degrau de 40cm. Concluíram que este era um dos principais fatores dos idosos referirem dificuldade de utilizar o transporte público.
Um estudo brasileiro deste tipo poderia gerar uma lei para altura dos degraus, colaborando, assim, com a mobilidade urbana.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Somos pessoas equilibradas?

Do ponto de vista psicológico eu não me arrisco discutir! Mas do ponto de vista físico afirmo que NÃO! Já dizia o querido professor Arnaldo Valentim que vivemos em constantes desequilíbrios que nos permitem ficar em pé e não cair.
Posso explicar. O mecanismo do equilíbrio está baseado na cooperação entre o sistema vestibular, informações proprioceptivas, táteis e visuais. O equilíbrio não apenas depende da integridade destes sistemas, mas também da integração sensorial dentro do sistema nervoso central para fornecer uma resposta muscular e articular que se adapte rapidamente a alterações. Complicou?
O equilíbrio estático do corpo humano parado na posição ereta, na verdade, não existe. Em qualquer momento no tempo, pequenos movimentos corporais são executados para manter a postura em pé.  Por exemplo, se colocarmos um cabo de vassoura em pé, ele certamente cairá, pois não dispõe de mecanismos neuromusculares (que estão sempre em movimento) para manter o equilíbrio. Portanto, é certo dizer que sempre estamos em movimento, mesmo quando pensamos estar parados.
Faça um teste. Coloque sua irmã mais nova parada na sua frente e em pé, com os pés juntos. Coloque nela o par de brincos mais comprido que tiver. Observe os brincos dela. Certamente estarão oscilando. Isto prova que há movimento.
Nós estamos sofrendo constantes desequilíbrios que precisam ser reequilibrados para que a queda não ocorra. Um complexo sistema neuromuscular está a postos para manter a posição ereta basicamente instável. Para que ocorram quedas durante qualquer atividade em qualquer idade, o controle postural deve estar prejudicado em relação a quanto ele é solicitado. Quedas que ocorrem durante atividades rotineiras sugerem maior prejuízo do controle postural.
Quando alguém sofre um AVC (derrame), o sistema do equilíbrio fica desregulado. Alguns não voltam mais a caminhar. Mas, felizmente, a maioria dos sobreviventes de um AVC volta a andar. Porém, fica visível a dificuldade que há no mecanismo de equilíbrio, pela dificuldade que ocorre em efetuar o reequilíbrio constante.
Minha pretensão com este texto é esclarecer aos leitores a complexidade e importância de podermos nos reequilibrar constantemente. Sem este processo, certamente não poderíamos caminhar e desenvolver em sua plenitude as atividades diárias da vida.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Fisioterapeutas, vamos sobreviver?

Uma profissão só sobrevive se aceitar a obrigação de basear seus julgamentos no conhecimento. Rothsthein (1985), afirma que sem uma base científica para o processo de avaliação e mensuração, enfrentamos o futuro como profissionais incapazes de nos comunicar uns com os outros, incapazes de documentar a eficácia e de exigir credibilidade científica para nossa profissão.
É notável o empenho dos pesquisadores fisioterapeutas na busca do aperfeiçoamento de técnicas de tratamento, ou na busca de novas formas de terapia para os mais diversos distúrbios do movimento humano. No entanto, observo que há uma carência de pesquisas com foco na avaliação físico funcional. Acredito que para termos uma boa terapêutica devemos possuir um bom diagnóstico que definirá o tratamento e permitirá o acompanhamento da evolução do quadro físico funcional.
Boa parte das pesquisas utiliza tecnologia de alto custo operacional e financeiro, nada acessível para os clínicos, restringindo a prática. Não sou pesquisador, mas o objetivo da pesquisa não é de facilitar o cotidiano dos profissionais?
Mas o progresso vem aliado à tecnologia de alto custo e não sendo possível o descobrimento de alternativas menos dispendiosas, deve-se encontrar outras possibilidades. Talvez o caminho seja empresas/laboratórios de diagnóstico do movimento humano, como são os laboratórios de análises clínicas e os de imagem.  Assim, o diagnóstico físico funcional de alto padrão será possível.
Com diagnósticos bem definidos por equipamentos cientificamente aceitos, as dúvidas sobre procedimentos, melhora ou piora dos pacientes serão sanadas definitivamente.  O laudo fisioterapêutico terá valor inestimável para a resolução de diversas questões sociais. Afinal, tudo o que fazemos depende dos nossos movimentos. Será esse o nosso futuro?
Um profissional de saúde é alguém que não somente valoriza a qualidade do tratamento fornecido, mas também a qualidade das medidas de resultados que podem demonstrar eficácia.
Os convênios de saúde pagariam estes exames de análise biomecânica do movimento humano (plataformas de força, plataformas de equilíbrio, dinamômetros de preensão, equipamentos isocinéticos, eletrogoniômetros, acelerômetros, análise tridimensional do movimento, entre outros)?
Qual seria o custo para avaliações particulares?
A popularização desses equipamentos deve ser de interesse de seus fabricantes, pois venderiam mais.  Mas para isso os preços dos equipamentos deveriam reduzir.
É viável financeiramente montar uma empresa de análise do movimento humano?
Vamos sobreviver?
São questões que certamente serão respondidas nos próximos anos.