domingo, 25 de novembro de 2012

Fisioterapia Geriátrica

O envelhecimento é um fato natural da vida, é um acontecimento fantástico que permite às pessoas experimentarem intensamente os bons e maus momentos. Envelhecendo, temos conquistas materiais e afetivas, formamos famílias, vemos nossos filhos e netos se desenvolverem. Também presenciamos a morte de pessoas queridas e o sofrimento nosso e o do próximo.
Entendo que para envelhecermos com autonomia e independência o movimento é crucial para garantir não somente as necessidades básicas, tais como alimentar-se, vestir-se e proteger-se, como também para obter o preenchimento das necessidades psicossociais mais elevadas que envolvem a qualidade de vida.
A independência do idoso está intimamente relacionada com condições motoras e cognitivas satisfatórias para o desempenho de suas tarefas da vida diária, bem como para seu convívio social. O geronte dotado de todas as suas possibilidades para mover-se e descobrir o mundo é normalmente um idoso feliz e bem adaptado.
A capacidade funcional constitui o determinante primário das necessidades diárias das pessoas idosas. O movimento normal é elemento primordial para a funcionalidade do indivíduo. Neste ponto, que a fisioterapia adentra na geriatria, pois é essa a profissão que tem como escopo a preservação ou reabilitação do movimento humano.

   Luciano José Chaves
   Fisioterapeuta
   Crefito 63.178-F
   Especialista em Acupuntura
   Pós-graduado em Fisioterapia Geriátrica
           Atendimento domiciliar e em Instituições Geriátricas




II COBRAFIN - boas novas!!!

Nos dias 15, 16 e 17 deste mês, no Rio de Janeiro, ocorreu o II Congresso Brasileiro de Fisioterapia Neurofuncional (IICOBRAFIN) promovido pela ABRAFIN.
Eu tive o prazer de estar presente neste evento maravilhoso que teve a presença de palestrantes pesquisadores e clínicos de altíssimo nível.
Algumas novidades na área da fisioterapia neurofuncional estão surgindo e outros temas de nosso conhecimento estão sendo pesquisados para que possamos fazer uso de técnicas que realmente tenham comprovação científica.


Alguns destaques do Congresso:
1. Estimulação Magnética Transcraniana (TMS): dois grupos fortes estão pesquisando esta nova ferramenta. Um no RJ e outro em PE, sendo os dois chefiados por fsioterapeutas. TMS é um equipamento que emite ondas eletromagnéticas para promover excitabilidade ou inibição de áreas a serem tratadas no encéfalo. As pesquisas estão bem adiantadas com pacientes hemiparéticos e parkinsonianos. O mais interessante é que as pesquisas indicam que a associação da TMS com a fisioterapia demonstram os melhores resultados. Acredita-se que em um ano está nova modalidade de tratamento estará disponível para os fisioterapeutas e com os protocolos de tratamento bem definidos.
Este novo equipamento pode ser operado por fisioterapeuta, pois é considerado eletroterapia. O CFM baixou uma resolução dizendo que é ato privativo dos médicos. No entanto, esta resolução não tem efeito para os fisioterapeutas, pois o CFM tem o poder de legislar somente para os médicos.

2. Estimulação Elétrica Transcraniana: tem o mesmo princípio de operação da TMS, porém emitindo ondas elétricas. Esta sendo pesquisado por um grupo da Universidade Federal da Bahia. As pesquisas não estão adiantadas como na TMS.

3. Terapia de Restrição e Indução do Movimento (TRIM): técnica que tem por objetivo recuperar a função do membro superior do paciente hemiparético. Consiste na contenção do membro superior sadio por pelo menos seis horas diárias e tratamento fisioterapêutico com tarefas específicas e direcionadas para o membro parético. Existem critérios de inclusão para este tipo de tratamento, não sendo aplicável a todos os casos.

4. Terapia por Espelho (TE): baseada na teoria dos neurônios espelho esta técnica tem por objetivo recuperar a função do membro superior hemiparético. O espelho deve ser colocado no meio do plano sagital, posicionando-se o braço não afetado na parte refletida como se fosse o membro afetado. Quando a mão direita está sendo usada, é percebida a mão esquerda, o que culmina em ativação adicional do hemisfério cerebral direito.

5. Wiireabilitação: pode-se utilizar o Nintendo Wii e o Kinect Based System, que são videogames. Tem como objetivo recuperar funções (equlíbrio, velocidade de movimento, coordenação...) com o auxílio dos jogos. A hipótese científica para que estes jogos sejam utilizados na reabilitação baseia-se na prática obsevacional (feedbak), atenção externa, prática controlada, realimentação do desempenho e do resultado, integração cognitiva, sensorial e motora e o aspecto motivacional do jogo. Apesar de aparentemente ser interessante e de já estar sendo bastante utilizado na prática clínica as pesquisas indicam que os resultados desta terapia são os mesmos da fisioterapia convencional, ou seja, há melhora significativa nos grupos de pacientes que utilizam o Wii e nos grupos controle que são tratados somente com fisioterapia. Pesquisadores fisioterapeutas de SP estão se dedicando ao estudo desta modalidade terapêutica.

6. Órteses neuronais e robótica: tecnologia de ponta estão sendo pesquisadas e lançadas no mercado para auxiliar os pacientes na reabilitação. São equipamentos de alto custo, porém muito interessantes. Os interessados por este tema podem pesquisar no google pelas empresas Otto Bock, Guidosimplex e Hocoma.

Adaptações fisiológicas do sistema nervoso devido ao envelhecimento

O envelhecimento promove diminuição do peso e do volume cerebral, havendo atrofia cerebral e aumento dos ventrículos encefálicos. Aos 90 anos o encéfalo apresenta peso aproximadamente 10% menor que aos 30 anos. A perda de peso e volume parece se concentrar nos lobos frontais e temporais e, especialmente, no complexo amígdala-hipocampal do lobo temporal por causa de seu papel no aprendizado e na memória. Também há perda contínua no córtex dos giros pré-centrais, que corresponde à área motora primária, giros temporais e córtex cerebelar.
Há perda de neurônios piramidais com a idade, e aqueles não perdidos apresentam dilatações basais dos dentritos, com redução ou perda das espinhas dendríticas (responsáveis pela síntese de neurotransmissores), e diminuição da área de contato para sinapses.
Devido à perda de neurônios corticais mielinizados há diminuição da velocidade de condução neuronal e dificuldade de processamento em regiões do córtex cerebral onde a velocidade é muito importante. Embora essas perdas pareçam explicar a propensão para quedas como resultado da entrada mais lenta das informações sensoriais no sistema, ou um tempo de resposta motora retardado, não foi comprovada uma conexão entre a deficiência em uma parte do sistema e a função total do indivíduo. Além disso, não se sabe por que algumas pessoas conseguem atuar bem até uma idade bem avançada sem sofrer quedas.
O processamento das informações nas áreas cognitivas e emocionais do SNC não pode ser ignorado quando se consideram as alterações que ocorrem no SNC com o envelhecimento. Os profissionais de saúde precisam ter em mente que, quando o processamento ou o aprendizado de material cognitivo torna-se um problema, esta via de ajuda ao aprendizado motor pode ser perdida. Sem ajuda cognitiva, o procedimento de aprendizado dos programas motores tornar-se-á a única via para recuperar o controle funcional dos movimentos. Os princípios do aprendizado motor tornam-se preeminente para a otimização do ambiente terapêutico para melhorar o paciente.
No entanto, todas as alterações citadas anteriormente, nem sempre refletem mudanças funcionalmente importantes quando as atividades diárias dos gerontes saudáveis são analisadas. À medida que os seres humanos envelhecem, seus níveis de atividade mudam, e as escolhas de suas atividades variam tremendamente, bem como sua alimentação e saúde de um modo geral. Todos estes fatores estão diretamente relacionados a função do SNC e ao seu controle final sobre todo o corpo. A predisposição genética assim como os fatores ambientais determinam como o sistema nervoso atua e reage na pessoa idosa. À medida que os indivíduos envelhecem, eles tornam-se mais diferentes em vez de homogêneos, de modo que se torna difícil comparar um adulto com outro.