sexta-feira, 5 de outubro de 2012

IRISINA???

Sabe-se faz tempo que a atividade física ajuda a emagrecer, prevenir ou tratar o diabete. Além de promover a perda de peso pelo incremento no gasto calórico, mexer o corpo auxilia no controle da glicemia porque facilita a ação da insulina, a responsável por botar o açúcar para dentro das células. O que faz o exercício aumentar a sensibilidade a esse hormônio? Isso ainda não está totalmente claro, mas uma proteína descoberta há pouco, a IRISINA, parece ter um papel-chave. Ela se encontra nas células musculares e é produzida por exercícios de longa duração.

Nosso organismo possui tanto as células de gordura brancas como as marrons. As primeiras armazenam energia sob a forma de triglicerídeos e inflam quando comemos demais, aumentando a barriga. Já as células do tecido marrom são responsáveis por gerar calor para o corpo, o que é fundamental para a sobrevivência de nossa espécie. Os adultos possuem mais células de gordura branca do que marrom.

Recentemente, cientistas (liderados pelo Ph.D Bruce Spiegelman) da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, descobriram um hormônio produzido durante a atividade física capaz de transformar gordura branca em marrom. Esta substância, conhecida como irisina, atravessa o músculo até o tecido adiposo e, lá, estimula a queima de calorias por gerar calor, termo conhecido como termogênese.

Estudos realizados em ratos que foram submetidos a treinamento físico regular mostraram que estes animais tinham altos níveis de irisina e por isso sofriam mudanças no funcionamento das suas células de gordura. Então uma molécula secretada durante o exercício seria capaz de transformar unidades de armazenamento de triglicerídeos em fontes produtoras de calor.

A irisina não forma adipócitos escuros idênticos aos que temos naturalmente, o que se nota é o aparecimento de um tecido bege, com metabolismo menos acelerado do que o marrom, porém muito mais ativo do que o branco. A cor menos clara vem da elevada concentração de ferro dentro destas células.

Os benefícios da irisina vão além da perda de peso, pois podem ajudar na proteção cardiovascular, uma vez que a gordura branca é responsável pela produção de uma série de substâncias metabolicamente ativas que agridem o funcionamento do coração e favorecem a formação da placa de ateroma. As células do tecido bege diminuem a quantidade do tecido adiposo branco e das moléculas produzidas por ele.

Em relação ao diabetes, este tecido bege utiliza mais glicose para realizar suas atividades, recrutando mais açúcar do sangue para dentro das células. A irisina melhora a ação da insulina, o que ajuda no combate a obesidade.

O artigo de Harvard não se limitou a observar ratos. Após suarem a camisa cinco vezes na semana por quase três meses, oito voluntários também passaram a apresentar taxas extras de irisina. Entretanto, não foram averiguados se estes efeitos da molécula eram similares aos encontrados nos animais. Não é uniforme a produção de irisina durante a atividade física nos indivíduos. É necessário planejar uma rotina de treinamentos regulares e contar com um pouco de paciência para as vantagens começarem a surgir.

Os cientistas ainda desconhecem qual a intensidade perfeita ou mesmo se as sessões de musculação promoveriam a propagação deste hormônio. É importante ficar longe do sedentarismo, mas respeitar seus limites.

A versão sintética da irisina deve começar a ser testada em voluntários a partir de 2013 e sua vantagem em relação a outras substâncias que auxiliam na perda de peso é o fato da mesma não agir no sistema nervoso central. È importante ressaltar que vários fármacos, e em especial os que aumentam a queima energética do corpo, mostram benefícios em animais, mas não em seres humanos.

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