sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Adaptações fisiológicas no sistema ósseo devido ao envelhecimento humano

 

Os ossos são tecidos que dão forma ao corpo, sustentando o peso do mesmo, protegendo os órgãos e facilitando os movimentos ao propiciar pontos de inserção para os músculos, de modo que esses possam funcionar como alavancas.
O osso é um tecido vivo que se renova permanentemente durante a vida toda. Essa renovação se deve às células ósseas responsáveis pela atividade de formação e de reabsorção do tecido ósseo. Esse sistema de “construção e destruição” é denominado remodelação óssea. Em geral, há um excelente equilíbrio entre reabsorção óssea por osteoclastos e a subseqüente restauração (neosteogênese) do osso por osteoblastos.
Os osteoblastos localizam-se na superfície óssea e sintetizam, transportam e organizam as muitas proteínas da matriz (colágeno e substância fundamental). Também se caracterizam por iniciar a mineralização por meio de seus receptores que se ligam a hormônios (principalmente o paratormônio), vitamina D e estrógeno, citocinas e fatores de crescimento celular. Os osteoclastos são derivados de células hematopoiéticas que também originam os monócitos e macrófagos. Estas são grandes células fagocitárias. A reabsorção óssea dos osteoclastos se faz por meio de projeções semelhantes a vilosidades em direção ao osso. Essas vilosidades secretam enzimas proteolíticas por três semanas, escavando um túnel que varia de 0,2 a 1 mm de diâmetro com vários milímetros de comprimento. Finalizadas essas três semanas, os osteoclastos deixam o túnel que é imediatamente preenchido por osteoblastos. Então, começa a haver deposição de osso novo de forma sucessiva em círculos concêntricos, sendo denominados lamelas. A deposição de osso novo cessa quando esse começa a invadir a área dos vasos sanguineos que suprem a região.
Há um momento em que o organismo alcança a maturidade óssea e ocorre um equilíbrio entre a formação e reabsorção determinando a densidade óssea máxima. Algum tempo após essa maturidade, inicia-se um processo de perda de massa óssea, que ocorre mais precocemente nas mulheres que nos homens. Segundo alguns autores, no homem há uma perda de aproximadamente 0,3% ao ano, principalmente do osso esponjoso quando comparado ao osso cortical, e nas mulheres essa perda é da ordem de 1% ao ano, acentuando-se no período pós-menopausa.
A perda de massa óssea é caracterizada por desequilíbrio no processo de modelagem e remodelagem conseqüente do envelhecimento, e pode ocorrer por aumento na atividade dos osteoclastos, por diminuição da atividade dos osteoblastos ou até mesmo pela combinação de ambos. Inúmeros fatores atuam sobre esse sistema, como aspectos nutricionais, fatores raciais e genéticos, atividade física e influência hormonal.
Dentre as alterações hormonais mais conhecidas associadas ao processo de remodelação óssea, destaca-se a ação de hormônios que agem sobre a formação óssea, como a calcitonina que é produzido pela glândula tireóide, e tem a função de baixar a concentração de cálcio no sangue, inibindo a reabsorção óssea. O hormônio da paratireóide (PTH) mobiliza cálcio do osso para o líquido extracelular, aumentando os níveis de cálcio sérico e a formação de osso.  A vitamina D tem como efeito principal o aumento da absorção de cálcio e fósforo pela mucosa intestinal, apresentando atividade similar a do PTH no osso. O estrógeno exerce atividade anti-reabsortiva por meio de vários mecanismos de ação ainda não suficientemente esclarecidos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Adaptações fisiológicas no sistema neuromuscular devido ao evelhecimento humano

Tem sido proposto que a perda da força muscular, da massa muscular e da quantidade de fibras musculares é o resultado de um processo neurodegenerativo que envolve a denervação de unidades motoras e a subseqüente reinervação. Quando acontece a falha na reinervação, as miofibras denervadas podem ser perdidas e substituídas por tecido não contrátil.
Em geral, o declínio na força começa durante a terceira década de vida e acelera durante a sexta e sétima décadas. A perda de tecido muscular é acompanhada por aumento significativo de tecido não contrátil. Esse achado enfatiza a limitação da mensuração do perímetro dos membros como índice clínico da massa muscular. A taxa global de perda de massa muscular é de aproximadamente 8% por década.
A fraqueza muscular pode ser provocada por declínio na capacidade de ativar a massa muscular, por redução na quantidade de tecido muscular ou pelos dois fatores. A menor qualidade na contração muscular do idoso também se deve ao comprometimento dos sistemas de túbulos T e do retículo sarcoplasmático. Estas estruturas são extremamente importantes para a contração muscular, pois é  por meio deles que há a transmissão do impulso nervoso que levará a contração muscular.
A sarcopenia ou hipotrofia é provocada por uma diminuição no número de unidades motoras e por uma reinervação incompleta dos músculos denervados, que resultam em declínio no número e tamanho das fibras musculares.
O idoso também apresenta alteração nos tipos de fibras musculares. Com a senescência, as fibras de contração rápida ou do tipo II vão diminuindo em número e volume e as fibras de contração lenta ou do tipo I também diminuem, mas em menor proporção que as primeiras.
O componente funcional básico do sistema neuromuscular humano é a unidade motora. Estudos histológicos em seres humanos mostraram que o envelhecimento está associado a um número reduzido de neurônios motores do corno anterior, a um declínio no número de fibras nervosas nas raízes ventral e dorsal em diferentes níveis da medula espinhal e a degeneração axônica nos nervos periféricos. Esta última, juntamente com a desmielinização segmentar, pode contribuir para a redução na velocidade da condução nervosa motora observada com a idade avançada. Estudos eletrofisiológicos mostraram que o número de unidades motoras diminuem com a idade e que o tamanho das unidades restantes aumenta.
Alterações nos parâmetros contráteis de unidades motoras isoladas foram medidas nos músculos da mão e pé humanos. As unidades motoras nos indivíduos idosos são caracterizadas pelo tempo de contração prolongado, tempo médio de relaxamento prolongado e maior potencial de ação, o que é compatível com seus tamanhos maiores. Estas alterações no comportamento contrátil de unidades motoras isoladas correlaciona-se bem com os estudos do comportamento contrátil da musculatura total no idoso.
 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

IRISINA???

Sabe-se faz tempo que a atividade física ajuda a emagrecer, prevenir ou tratar o diabete. Além de promover a perda de peso pelo incremento no gasto calórico, mexer o corpo auxilia no controle da glicemia porque facilita a ação da insulina, a responsável por botar o açúcar para dentro das células. O que faz o exercício aumentar a sensibilidade a esse hormônio? Isso ainda não está totalmente claro, mas uma proteína descoberta há pouco, a IRISINA, parece ter um papel-chave. Ela se encontra nas células musculares e é produzida por exercícios de longa duração.

Nosso organismo possui tanto as células de gordura brancas como as marrons. As primeiras armazenam energia sob a forma de triglicerídeos e inflam quando comemos demais, aumentando a barriga. Já as células do tecido marrom são responsáveis por gerar calor para o corpo, o que é fundamental para a sobrevivência de nossa espécie. Os adultos possuem mais células de gordura branca do que marrom.

Recentemente, cientistas (liderados pelo Ph.D Bruce Spiegelman) da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, descobriram um hormônio produzido durante a atividade física capaz de transformar gordura branca em marrom. Esta substância, conhecida como irisina, atravessa o músculo até o tecido adiposo e, lá, estimula a queima de calorias por gerar calor, termo conhecido como termogênese.

Estudos realizados em ratos que foram submetidos a treinamento físico regular mostraram que estes animais tinham altos níveis de irisina e por isso sofriam mudanças no funcionamento das suas células de gordura. Então uma molécula secretada durante o exercício seria capaz de transformar unidades de armazenamento de triglicerídeos em fontes produtoras de calor.

A irisina não forma adipócitos escuros idênticos aos que temos naturalmente, o que se nota é o aparecimento de um tecido bege, com metabolismo menos acelerado do que o marrom, porém muito mais ativo do que o branco. A cor menos clara vem da elevada concentração de ferro dentro destas células.

Os benefícios da irisina vão além da perda de peso, pois podem ajudar na proteção cardiovascular, uma vez que a gordura branca é responsável pela produção de uma série de substâncias metabolicamente ativas que agridem o funcionamento do coração e favorecem a formação da placa de ateroma. As células do tecido bege diminuem a quantidade do tecido adiposo branco e das moléculas produzidas por ele.

Em relação ao diabetes, este tecido bege utiliza mais glicose para realizar suas atividades, recrutando mais açúcar do sangue para dentro das células. A irisina melhora a ação da insulina, o que ajuda no combate a obesidade.

O artigo de Harvard não se limitou a observar ratos. Após suarem a camisa cinco vezes na semana por quase três meses, oito voluntários também passaram a apresentar taxas extras de irisina. Entretanto, não foram averiguados se estes efeitos da molécula eram similares aos encontrados nos animais. Não é uniforme a produção de irisina durante a atividade física nos indivíduos. É necessário planejar uma rotina de treinamentos regulares e contar com um pouco de paciência para as vantagens começarem a surgir.

Os cientistas ainda desconhecem qual a intensidade perfeita ou mesmo se as sessões de musculação promoveriam a propagação deste hormônio. É importante ficar longe do sedentarismo, mas respeitar seus limites.

A versão sintética da irisina deve começar a ser testada em voluntários a partir de 2013 e sua vantagem em relação a outras substâncias que auxiliam na perda de peso é o fato da mesma não agir no sistema nervoso central. È importante ressaltar que vários fármacos, e em especial os que aumentam a queima energética do corpo, mostram benefícios em animais, mas não em seres humanos.