domingo, 19 de agosto de 2012

Neurônio Espelho

Os neurônios espelho foram descobertos por acaso pela equipe do neurocientista Giacomo Rizzolatti, da Universidade de Parma, na Itália. O grupo colocou eletrodos na cabeça de uma macaco, um aparato que permitia acompanhar a atividade dos neurônios na região do cérebro responsável pelos movimentos através de um  monitor. Cada vez que o macaco cumpria uma tarefa, como apanhar uva-passas com os dedos, neurônios no córtex pré-motor, nos lobos frontais, disparavam. Quando um aluno entrou no laboratório e levou um sorvete à boca, o  monitor apitou - foi uma surpresa para os cientistas, porque o macaco estava imóvel. O mais intrigante é que sempre que o macaco assistia o experimentador ou outro macaco repetir essa cena com outros alimentos os neurôniios disparavam.
Além de compreender melhor nosso comportamento, o estudo sobre neurônios espelho podem ajudar na solução de questões práticas, como recuperação de pacientes com perda de função motora. Em 1992, o neurocientista indiano Vilayanur Ramachandran, diretor do Centro do Cérebro e da Cognição da Universidade da Califórnia, criou uma técnica que usa espelho para tratamento de dor fantasma (pessoas que perderam um braço, por exemplo, sentem dores nesse membro como se ele ainda estivesse lá). A técnica permite que uma rede de neurônios responsáveis pelo controle de uma mão possa ser usada nos movimentos da outra mão numa determinada tarefa. A idéia é reeducar o cérebro com uma simples tarefa, em que a pessoa realiza movimentos com o braço saudável, vendo no espelho como se fosse o braço amputado. Assim é possível enganar o cérebro, fazendo com que ele imite os movimentos do braço amputado através do braço não amputado no espelho. A técnica também tem sido empregada para recuperação do movimento de pessoas que sofreram AVC. Alguns pacientes são mais beneficiados que outros, dependendo do local da lesão e da duração do déficit após o AVC. Durante a terapia, essas células tanto podem responder a gestos já praticados quanto não apreendidos. O que significa que a capacidade desses neurônios de reagir à observação de uma tarefa não depende obrigatoriamente da nossa memória. A tendência é imitar, inconscientemente, aquilo que observamos, ouvimos ou percebemos. Caso exista ainda neurôniios espelho sobreviventes, a terapia espelho poderia revivê-los.