domingo, 25 de novembro de 2012

Fisioterapia Geriátrica

O envelhecimento é um fato natural da vida, é um acontecimento fantástico que permite às pessoas experimentarem intensamente os bons e maus momentos. Envelhecendo, temos conquistas materiais e afetivas, formamos famílias, vemos nossos filhos e netos se desenvolverem. Também presenciamos a morte de pessoas queridas e o sofrimento nosso e o do próximo.
Entendo que para envelhecermos com autonomia e independência o movimento é crucial para garantir não somente as necessidades básicas, tais como alimentar-se, vestir-se e proteger-se, como também para obter o preenchimento das necessidades psicossociais mais elevadas que envolvem a qualidade de vida.
A independência do idoso está intimamente relacionada com condições motoras e cognitivas satisfatórias para o desempenho de suas tarefas da vida diária, bem como para seu convívio social. O geronte dotado de todas as suas possibilidades para mover-se e descobrir o mundo é normalmente um idoso feliz e bem adaptado.
A capacidade funcional constitui o determinante primário das necessidades diárias das pessoas idosas. O movimento normal é elemento primordial para a funcionalidade do indivíduo. Neste ponto, que a fisioterapia adentra na geriatria, pois é essa a profissão que tem como escopo a preservação ou reabilitação do movimento humano.

   Luciano José Chaves
   Fisioterapeuta
   Crefito 63.178-F
   Especialista em Acupuntura
   Pós-graduado em Fisioterapia Geriátrica
           Atendimento domiciliar e em Instituições Geriátricas




II COBRAFIN - boas novas!!!

Nos dias 15, 16 e 17 deste mês, no Rio de Janeiro, ocorreu o II Congresso Brasileiro de Fisioterapia Neurofuncional (IICOBRAFIN) promovido pela ABRAFIN.
Eu tive o prazer de estar presente neste evento maravilhoso que teve a presença de palestrantes pesquisadores e clínicos de altíssimo nível.
Algumas novidades na área da fisioterapia neurofuncional estão surgindo e outros temas de nosso conhecimento estão sendo pesquisados para que possamos fazer uso de técnicas que realmente tenham comprovação científica.


Alguns destaques do Congresso:
1. Estimulação Magnética Transcraniana (TMS): dois grupos fortes estão pesquisando esta nova ferramenta. Um no RJ e outro em PE, sendo os dois chefiados por fsioterapeutas. TMS é um equipamento que emite ondas eletromagnéticas para promover excitabilidade ou inibição de áreas a serem tratadas no encéfalo. As pesquisas estão bem adiantadas com pacientes hemiparéticos e parkinsonianos. O mais interessante é que as pesquisas indicam que a associação da TMS com a fisioterapia demonstram os melhores resultados. Acredita-se que em um ano está nova modalidade de tratamento estará disponível para os fisioterapeutas e com os protocolos de tratamento bem definidos.
Este novo equipamento pode ser operado por fisioterapeuta, pois é considerado eletroterapia. O CFM baixou uma resolução dizendo que é ato privativo dos médicos. No entanto, esta resolução não tem efeito para os fisioterapeutas, pois o CFM tem o poder de legislar somente para os médicos.

2. Estimulação Elétrica Transcraniana: tem o mesmo princípio de operação da TMS, porém emitindo ondas elétricas. Esta sendo pesquisado por um grupo da Universidade Federal da Bahia. As pesquisas não estão adiantadas como na TMS.

3. Terapia de Restrição e Indução do Movimento (TRIM): técnica que tem por objetivo recuperar a função do membro superior do paciente hemiparético. Consiste na contenção do membro superior sadio por pelo menos seis horas diárias e tratamento fisioterapêutico com tarefas específicas e direcionadas para o membro parético. Existem critérios de inclusão para este tipo de tratamento, não sendo aplicável a todos os casos.

4. Terapia por Espelho (TE): baseada na teoria dos neurônios espelho esta técnica tem por objetivo recuperar a função do membro superior hemiparético. O espelho deve ser colocado no meio do plano sagital, posicionando-se o braço não afetado na parte refletida como se fosse o membro afetado. Quando a mão direita está sendo usada, é percebida a mão esquerda, o que culmina em ativação adicional do hemisfério cerebral direito.

5. Wiireabilitação: pode-se utilizar o Nintendo Wii e o Kinect Based System, que são videogames. Tem como objetivo recuperar funções (equlíbrio, velocidade de movimento, coordenação...) com o auxílio dos jogos. A hipótese científica para que estes jogos sejam utilizados na reabilitação baseia-se na prática obsevacional (feedbak), atenção externa, prática controlada, realimentação do desempenho e do resultado, integração cognitiva, sensorial e motora e o aspecto motivacional do jogo. Apesar de aparentemente ser interessante e de já estar sendo bastante utilizado na prática clínica as pesquisas indicam que os resultados desta terapia são os mesmos da fisioterapia convencional, ou seja, há melhora significativa nos grupos de pacientes que utilizam o Wii e nos grupos controle que são tratados somente com fisioterapia. Pesquisadores fisioterapeutas de SP estão se dedicando ao estudo desta modalidade terapêutica.

6. Órteses neuronais e robótica: tecnologia de ponta estão sendo pesquisadas e lançadas no mercado para auxiliar os pacientes na reabilitação. São equipamentos de alto custo, porém muito interessantes. Os interessados por este tema podem pesquisar no google pelas empresas Otto Bock, Guidosimplex e Hocoma.

Adaptações fisiológicas do sistema nervoso devido ao envelhecimento

O envelhecimento promove diminuição do peso e do volume cerebral, havendo atrofia cerebral e aumento dos ventrículos encefálicos. Aos 90 anos o encéfalo apresenta peso aproximadamente 10% menor que aos 30 anos. A perda de peso e volume parece se concentrar nos lobos frontais e temporais e, especialmente, no complexo amígdala-hipocampal do lobo temporal por causa de seu papel no aprendizado e na memória. Também há perda contínua no córtex dos giros pré-centrais, que corresponde à área motora primária, giros temporais e córtex cerebelar.
Há perda de neurônios piramidais com a idade, e aqueles não perdidos apresentam dilatações basais dos dentritos, com redução ou perda das espinhas dendríticas (responsáveis pela síntese de neurotransmissores), e diminuição da área de contato para sinapses.
Devido à perda de neurônios corticais mielinizados há diminuição da velocidade de condução neuronal e dificuldade de processamento em regiões do córtex cerebral onde a velocidade é muito importante. Embora essas perdas pareçam explicar a propensão para quedas como resultado da entrada mais lenta das informações sensoriais no sistema, ou um tempo de resposta motora retardado, não foi comprovada uma conexão entre a deficiência em uma parte do sistema e a função total do indivíduo. Além disso, não se sabe por que algumas pessoas conseguem atuar bem até uma idade bem avançada sem sofrer quedas.
O processamento das informações nas áreas cognitivas e emocionais do SNC não pode ser ignorado quando se consideram as alterações que ocorrem no SNC com o envelhecimento. Os profissionais de saúde precisam ter em mente que, quando o processamento ou o aprendizado de material cognitivo torna-se um problema, esta via de ajuda ao aprendizado motor pode ser perdida. Sem ajuda cognitiva, o procedimento de aprendizado dos programas motores tornar-se-á a única via para recuperar o controle funcional dos movimentos. Os princípios do aprendizado motor tornam-se preeminente para a otimização do ambiente terapêutico para melhorar o paciente.
No entanto, todas as alterações citadas anteriormente, nem sempre refletem mudanças funcionalmente importantes quando as atividades diárias dos gerontes saudáveis são analisadas. À medida que os seres humanos envelhecem, seus níveis de atividade mudam, e as escolhas de suas atividades variam tremendamente, bem como sua alimentação e saúde de um modo geral. Todos estes fatores estão diretamente relacionados a função do SNC e ao seu controle final sobre todo o corpo. A predisposição genética assim como os fatores ambientais determinam como o sistema nervoso atua e reage na pessoa idosa. À medida que os indivíduos envelhecem, eles tornam-se mais diferentes em vez de homogêneos, de modo que se torna difícil comparar um adulto com outro.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Adaptações fisiológicas no sistema ósseo devido ao envelhecimento humano

 

Os ossos são tecidos que dão forma ao corpo, sustentando o peso do mesmo, protegendo os órgãos e facilitando os movimentos ao propiciar pontos de inserção para os músculos, de modo que esses possam funcionar como alavancas.
O osso é um tecido vivo que se renova permanentemente durante a vida toda. Essa renovação se deve às células ósseas responsáveis pela atividade de formação e de reabsorção do tecido ósseo. Esse sistema de “construção e destruição” é denominado remodelação óssea. Em geral, há um excelente equilíbrio entre reabsorção óssea por osteoclastos e a subseqüente restauração (neosteogênese) do osso por osteoblastos.
Os osteoblastos localizam-se na superfície óssea e sintetizam, transportam e organizam as muitas proteínas da matriz (colágeno e substância fundamental). Também se caracterizam por iniciar a mineralização por meio de seus receptores que se ligam a hormônios (principalmente o paratormônio), vitamina D e estrógeno, citocinas e fatores de crescimento celular. Os osteoclastos são derivados de células hematopoiéticas que também originam os monócitos e macrófagos. Estas são grandes células fagocitárias. A reabsorção óssea dos osteoclastos se faz por meio de projeções semelhantes a vilosidades em direção ao osso. Essas vilosidades secretam enzimas proteolíticas por três semanas, escavando um túnel que varia de 0,2 a 1 mm de diâmetro com vários milímetros de comprimento. Finalizadas essas três semanas, os osteoclastos deixam o túnel que é imediatamente preenchido por osteoblastos. Então, começa a haver deposição de osso novo de forma sucessiva em círculos concêntricos, sendo denominados lamelas. A deposição de osso novo cessa quando esse começa a invadir a área dos vasos sanguineos que suprem a região.
Há um momento em que o organismo alcança a maturidade óssea e ocorre um equilíbrio entre a formação e reabsorção determinando a densidade óssea máxima. Algum tempo após essa maturidade, inicia-se um processo de perda de massa óssea, que ocorre mais precocemente nas mulheres que nos homens. Segundo alguns autores, no homem há uma perda de aproximadamente 0,3% ao ano, principalmente do osso esponjoso quando comparado ao osso cortical, e nas mulheres essa perda é da ordem de 1% ao ano, acentuando-se no período pós-menopausa.
A perda de massa óssea é caracterizada por desequilíbrio no processo de modelagem e remodelagem conseqüente do envelhecimento, e pode ocorrer por aumento na atividade dos osteoclastos, por diminuição da atividade dos osteoblastos ou até mesmo pela combinação de ambos. Inúmeros fatores atuam sobre esse sistema, como aspectos nutricionais, fatores raciais e genéticos, atividade física e influência hormonal.
Dentre as alterações hormonais mais conhecidas associadas ao processo de remodelação óssea, destaca-se a ação de hormônios que agem sobre a formação óssea, como a calcitonina que é produzido pela glândula tireóide, e tem a função de baixar a concentração de cálcio no sangue, inibindo a reabsorção óssea. O hormônio da paratireóide (PTH) mobiliza cálcio do osso para o líquido extracelular, aumentando os níveis de cálcio sérico e a formação de osso.  A vitamina D tem como efeito principal o aumento da absorção de cálcio e fósforo pela mucosa intestinal, apresentando atividade similar a do PTH no osso. O estrógeno exerce atividade anti-reabsortiva por meio de vários mecanismos de ação ainda não suficientemente esclarecidos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Adaptações fisiológicas no sistema neuromuscular devido ao evelhecimento humano

Tem sido proposto que a perda da força muscular, da massa muscular e da quantidade de fibras musculares é o resultado de um processo neurodegenerativo que envolve a denervação de unidades motoras e a subseqüente reinervação. Quando acontece a falha na reinervação, as miofibras denervadas podem ser perdidas e substituídas por tecido não contrátil.
Em geral, o declínio na força começa durante a terceira década de vida e acelera durante a sexta e sétima décadas. A perda de tecido muscular é acompanhada por aumento significativo de tecido não contrátil. Esse achado enfatiza a limitação da mensuração do perímetro dos membros como índice clínico da massa muscular. A taxa global de perda de massa muscular é de aproximadamente 8% por década.
A fraqueza muscular pode ser provocada por declínio na capacidade de ativar a massa muscular, por redução na quantidade de tecido muscular ou pelos dois fatores. A menor qualidade na contração muscular do idoso também se deve ao comprometimento dos sistemas de túbulos T e do retículo sarcoplasmático. Estas estruturas são extremamente importantes para a contração muscular, pois é  por meio deles que há a transmissão do impulso nervoso que levará a contração muscular.
A sarcopenia ou hipotrofia é provocada por uma diminuição no número de unidades motoras e por uma reinervação incompleta dos músculos denervados, que resultam em declínio no número e tamanho das fibras musculares.
O idoso também apresenta alteração nos tipos de fibras musculares. Com a senescência, as fibras de contração rápida ou do tipo II vão diminuindo em número e volume e as fibras de contração lenta ou do tipo I também diminuem, mas em menor proporção que as primeiras.
O componente funcional básico do sistema neuromuscular humano é a unidade motora. Estudos histológicos em seres humanos mostraram que o envelhecimento está associado a um número reduzido de neurônios motores do corno anterior, a um declínio no número de fibras nervosas nas raízes ventral e dorsal em diferentes níveis da medula espinhal e a degeneração axônica nos nervos periféricos. Esta última, juntamente com a desmielinização segmentar, pode contribuir para a redução na velocidade da condução nervosa motora observada com a idade avançada. Estudos eletrofisiológicos mostraram que o número de unidades motoras diminuem com a idade e que o tamanho das unidades restantes aumenta.
Alterações nos parâmetros contráteis de unidades motoras isoladas foram medidas nos músculos da mão e pé humanos. As unidades motoras nos indivíduos idosos são caracterizadas pelo tempo de contração prolongado, tempo médio de relaxamento prolongado e maior potencial de ação, o que é compatível com seus tamanhos maiores. Estas alterações no comportamento contrátil de unidades motoras isoladas correlaciona-se bem com os estudos do comportamento contrátil da musculatura total no idoso.
 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

IRISINA???

Sabe-se faz tempo que a atividade física ajuda a emagrecer, prevenir ou tratar o diabete. Além de promover a perda de peso pelo incremento no gasto calórico, mexer o corpo auxilia no controle da glicemia porque facilita a ação da insulina, a responsável por botar o açúcar para dentro das células. O que faz o exercício aumentar a sensibilidade a esse hormônio? Isso ainda não está totalmente claro, mas uma proteína descoberta há pouco, a IRISINA, parece ter um papel-chave. Ela se encontra nas células musculares e é produzida por exercícios de longa duração.

Nosso organismo possui tanto as células de gordura brancas como as marrons. As primeiras armazenam energia sob a forma de triglicerídeos e inflam quando comemos demais, aumentando a barriga. Já as células do tecido marrom são responsáveis por gerar calor para o corpo, o que é fundamental para a sobrevivência de nossa espécie. Os adultos possuem mais células de gordura branca do que marrom.

Recentemente, cientistas (liderados pelo Ph.D Bruce Spiegelman) da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, descobriram um hormônio produzido durante a atividade física capaz de transformar gordura branca em marrom. Esta substância, conhecida como irisina, atravessa o músculo até o tecido adiposo e, lá, estimula a queima de calorias por gerar calor, termo conhecido como termogênese.

Estudos realizados em ratos que foram submetidos a treinamento físico regular mostraram que estes animais tinham altos níveis de irisina e por isso sofriam mudanças no funcionamento das suas células de gordura. Então uma molécula secretada durante o exercício seria capaz de transformar unidades de armazenamento de triglicerídeos em fontes produtoras de calor.

A irisina não forma adipócitos escuros idênticos aos que temos naturalmente, o que se nota é o aparecimento de um tecido bege, com metabolismo menos acelerado do que o marrom, porém muito mais ativo do que o branco. A cor menos clara vem da elevada concentração de ferro dentro destas células.

Os benefícios da irisina vão além da perda de peso, pois podem ajudar na proteção cardiovascular, uma vez que a gordura branca é responsável pela produção de uma série de substâncias metabolicamente ativas que agridem o funcionamento do coração e favorecem a formação da placa de ateroma. As células do tecido bege diminuem a quantidade do tecido adiposo branco e das moléculas produzidas por ele.

Em relação ao diabetes, este tecido bege utiliza mais glicose para realizar suas atividades, recrutando mais açúcar do sangue para dentro das células. A irisina melhora a ação da insulina, o que ajuda no combate a obesidade.

O artigo de Harvard não se limitou a observar ratos. Após suarem a camisa cinco vezes na semana por quase três meses, oito voluntários também passaram a apresentar taxas extras de irisina. Entretanto, não foram averiguados se estes efeitos da molécula eram similares aos encontrados nos animais. Não é uniforme a produção de irisina durante a atividade física nos indivíduos. É necessário planejar uma rotina de treinamentos regulares e contar com um pouco de paciência para as vantagens começarem a surgir.

Os cientistas ainda desconhecem qual a intensidade perfeita ou mesmo se as sessões de musculação promoveriam a propagação deste hormônio. É importante ficar longe do sedentarismo, mas respeitar seus limites.

A versão sintética da irisina deve começar a ser testada em voluntários a partir de 2013 e sua vantagem em relação a outras substâncias que auxiliam na perda de peso é o fato da mesma não agir no sistema nervoso central. È importante ressaltar que vários fármacos, e em especial os que aumentam a queima energética do corpo, mostram benefícios em animais, mas não em seres humanos.

domingo, 30 de setembro de 2012

Síndrome da Fragilidade


     O termo fragilidade tem sido utilizado na prática para designar, dentre a população de idosos, aqueles que apresentam características clínicas atribuídas ao envelhecimento, associado à existência de comorbidades, como por exemplo, diminuição da massa e da força muscular, exaustão, alteração da marcha e do equilíbrio, anorexia e perda de peso progressiva. Todos esses fatores levam a um maior risco de eventos adversos como quedas, incontinência urinária, hospitalização e morte. A fragilidade está associada à idade, embora não seja resultante exclusivamente do processo de envelhecimento, já que a maioria dos idosos não se torna frágil obrigatoriamente. Ela está relacionada com a presença de comorbidades, pois as doenças crônicas que surgem nas fases mais avançadas da vida tendem a ser menos letais e a se acumularem durante o processo de envelhecimento. Em geral, os idosos percebidos como frágeis são aqueles que apresentam riscos mais elevados para desfechos clínicos adversos, tais como: dependência, institucionalização, quedas, piora do quadro de doenças crônicas, doenças agudas, hospitalização, lenta ou ausente re­cuperação de um quadro clínico e morte.
Dois grupos de pesquisa têm se destacado na busca de consenso sobre a definição de fragilidade: um nos Estados Unidos e outro no Canadá.

A pesquisa canadense é uma colaboração desenvolvida entre Canadá, União Européia, Israel e Japão, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre fragilidade em idosos, por meio de estudo minucioso das causas e da trajetória do fenômeno, com ênfase em sua prevenção e tratamento. A pesquisa é realizada por diferentes especialistas e subdivi­dida em 11 domínios: 1) história, conceitos e definições; 2) bases bio­lógicas; 3) serviços de saúde; 4) bases sociais; 5) prevalência; 6) história natural e fatores de risco; 7) impacto da fragilidade; 8) identificação; 9) prevenção e conduta terapêutica; 10) ambiente e tecnologia; 11) política social e de saúde. Embora ainda esteja em andamento, os membros deste estudo desen­volveram um conceito multidimensional enfatizando a etiologia com­plexa da fragilidade, relacionando-a com a história de vida de idosos e considerando que essa trajetória pode ser modificada por fatores bio­lógicos, psicológicos e sociais, cujas interações resultam em recursos e/ou déficits individuais em determinado contexto. Iniciando-se em fase subclínica (condição pré-frágil) o processo pode evoluir, sem muita precisão temporal para as manifestações clí­nicas. O maior potencial para prevenção encontra-se no estágio que antecede essas manifestações. Após a instalação do fenômeno, a condu­ta terapêutica tem por objetivo, prevenir, adiar ou amenizar os efeitos adversos.

Já o grupo de pesquisadores dos Esta­dos Unidos propôs critérios objetivos mensuráveis para definir fragili­dade em idosos a partir da hipótese de que esta representa uma síndro­me que pode ser identificada a partir de um fenótipo. Para os pesquisadores, a fragilidade é uma síndrome caracteri­zada pela diminuição de reserva energética e resistência reduzida aos estressores. Essa condição resulta de declínio cumulativo dos sistemas fisiológicos e causa vulnerabilidade às condições adversas, por haver dificuldade de manutenção da homeostase em situações de exposição às perturbações, tais como alterações de temperaturas ambientais e varia­ções na condição de saúde.

     Este grupo de pesquisadores construiu um fenótipo relacio­nado à fragilidade, incluindo cinco componentes com possibilidade de serem mensurados: 1) perda de peso não intencional: maior de 4,5 kg ou superior a 5% do peso corporal no último ano; 2) fadiga auto-referida; 3) diminuição da força de preensão palmar, medida com dinamômetro e ajustada para gênero e índice de massa corpo­ral (IMC); 4) baixo nível de atividade física medida pelo dispêndio semanal de energia em kcal (com base no auto-relato das atividades e exercícios físicos realizados) e ajustado segundo o gênero; 5) di­minuição da velocidade de marcha em segundos: distância de 4,5 m ajustada para gênero e altura. O indivíduo que apre­senta três ou mais componentes do fenótipo enquadra-se em idosos frágeis e aqueles com um ou dois componentes seriam indicativos de alto risco de desenvolver a síndrome.
   
    É excluída deste modelo o déficit cognitivo grave, uma vez que, con­seqüências da demência surgirão como condições clínicas característi­cas da síndrome.

Existem ainda poucos dados disponíveis sobre a incidência e pre­valência da Síndrome da Fragilidade em idosos, principalmente pela falta de consenso de uma definição que possa ser utilizada. A partir de dados do Cardiovascular Health Study, estimou-se que em uma população com idade superior a 65 anos, 6,3% dos idosos tinham o fenótipo (as caracterísiticas) de fragilidade. Entre os frágeis, 68,5% eram mulheres. Houve evidência do aumento de preva­lência de fragilidade com a idade. Em outro estudo epidemiológico com mulheres de 65 a 79 anos, evidenciou-se a relação entre fragilidade e doença cardíaca isquêmica, acidente vascular encefálico (AVE), doença pulmonar obstrutiva crô­nica (DPOC), diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial e a osteoar­trite. A prevalência de incapacidades físicas foi maior entre os frágeis, quando comparado aos não-frágeis. O aumento no risco de fragilidade associou-se positivamente com baixo nível socioeconômico, antece­dente de doença isquêmica cardíaca, DM, fratura de quadril, DPOC, osteoartrite, AVE e depressão.

   Ainda não há consenso definido quanto ao termo fragilidade, nem como poderia ser identificada ou mesmo avaliada. As definições existentes consideram idosos frágeis os indivíduos com mais de 65 anos de idade, dependentes para atividades de vida diária (AVD) e geralmente institucionalizados. As manifestações clínicas mais freqüentes na Síndrome da Fragilidade são: perda de peso não intencional, fraqueza muscular, fadiga, percepção de exaustão, anorexia, inatividade física e alterações de marcha e equilíbrio.

INTERVENÇÃO FISIOERAPÊUTICA

   Estudos revelaram melhora significativa da força do quadríceps e de tempo de caminhada, em treino com carga versus nenhum treino.

   O treinamento de força deve ser realizado pelo menos duas vezes por semana, com um mínimo de 48 horas de repouso entre as sessões, para a recuperação da musculatura e prevenção do super treinamento. Recomenda-se realizar de oito a dez exercícios com oito a 12 repetições para cada conjunto. A seleção dos grupos a serem trabalhados deve ser direcionada aos grandes grupos musculares, sendo que a duração das sessões não deve ultrapassar a 60 minutos. Recomenda-se inspirar antes de levantar a carga e expirar durante a contração, evitando a manobra de valsalva.

    Indivíduos muito idosos (média de idade de 87 anos), institucionalizados, que realizaram treino de resistência associado à suplementação nutricional, por dez semanas, tiveram aumento de força muscular, bem como melhora objetiva da marcha, velocidade e atividade física espontânea. Os potenciais benéficos a longo prazo são: o menor número de quedas, aumento da mobilidade e independência. Pesquisas mostram aumento da síntese protéica muscular em resposta ao treino de resistência. Mudanças na inervação e padrão de ativação muscular também ocorrem com o treinamento, melhorando o desempenho motor. A prática de exercícios de resistência ainda é a intervenção mais efetiva para aumentar a massa e força muscular em idosos. É importante ressaltar que alguns idosos podem ter ingestão alimentar reduzida e necessidades protéicas aumentadas, dificultando a obtenção dos efeitos do treinamento de resistência se a nutrição não for adequada.

   A perda da capacidade aeróbia dificulta a execução das AVD e AIVD (por exemplo, subir escadas, vestir-se, atravessar a rua), pois para realizá-las é necessário o condicionamento cardiovascular. Com base nisto, o treinamento da capacidade aeróbia seria uma estratégia de prevenção de quedas.

   Alguns estudos têm mostrado aumento das habilidades funcionais quando o treinamento de força é combinado com outros tipos de treinamento; sua associação ao treinamento da capacidade aeróbia e do equilíbrio tem se mostrado mais eficiente para aumentar o controle do equilíbrio e a velocidade da marcha.

   Os exercícios para treino de equilíbrio devem ter duração de dez a 30 segundos com duas a três repetições para cada posição ou exercício, perfazendo um total de dez a 15 minutos. Os exercícios de equilíbrio podem ser estáticos e/ou dinâmicos, que envolvam alterações no input visual, mudanças na superfície de sustentação e redução da base de sustentação, e aumentem gradativamente o nível de dificuldade e complexidade das posições. Assim podem ser propostas para a terapia: aumentar o tempo em cada posição, utilizar espumas de densidades e materiais diferentes, posicionar a cabeça em diferentes angulações, usar diferentes conflitos visuais, variar a base de sustentação, entre outros recursos.

   As definições e os modelos de fragilidade evidenciam que a síndrome é complexa. A fragilidade é uma síndrome decorrente da interação de fatores biológicos, psicológicos, cognitivos e sociais, ao longo do curso da vida que poderia ser identificada precocemente para que intervenções e condutas também precoces fossem realizadas. Entretanto, apesar de não existir até o momento um tratamento específico para esta síndrome, a realização periódica de uma avaliação geriátrica global por uma equipe multidisciplinar é capaz de retardar o declínio funcional e prevenir a fragilidade, e assim diminuir o índice de institucionalização e hospitalização, alterando positivamente as taxas de morbimortalidade para esta parcela de população. Atualmente, a prática do treinamento do exercício físico resistido em membros inferiores é considerada como o mais eficaz método para preservar a mobilidade e, consequentemente, prevenir o declínio funcional em idosos.

   O treinamento da capacidade aeróbia tem se mostrado efetivo para diminuir a taxa de quedas e também para modificar os seus fatores de risco, em função dos ganhos de força muscular, mobilidade articular, aumento da velocidade da marcha e melhora na qualidade do equilíbrio.   Em estudo de treinamento de força, com indivíduos idosos, para verificar as influências sobre os riscos de quedas, evidenciou-se que a intensidade do treinamento deve ser progressiva, com uma freqüência de três vezes por semana e intensidade de 50% de uma repetição máxima (RM), passando para 80% de uma RM nas duas últimas semanas. Neste estudo, verificou-se um aumento de 32 a 48% de força muscular. O treinamento de alta intensidade vem sendo indicado para promover ganhos de força máxima, no entanto, neste estudo os resultados demonstraram que, o treinamento de baixa a moderada intensidade mostrou-se tão eficaz quanto os de alta para esta finalidade. Quanto aos testes funcionais, os resultados foram estatisticamente significativos (p < 0,05), indicando que o treinamento de força pode estar diretamente associado à diminuição do risco de quedas.   O treinamento de força tem sido cada vez mais indicado para idosos, como uma maneira eficaz e segura de melhorar a força muscular e a capacidade funcional. O aumento da capacidade do músculo de gerar força é explicado a partir do princípio de sobrecarga; o grupo muscular é submetido a um trabalho com cargas mais elevadas do que está acostumado a suportar, gerando aumento de tamanho e força.


  

domingo, 19 de agosto de 2012

Neurônio Espelho

Os neurônios espelho foram descobertos por acaso pela equipe do neurocientista Giacomo Rizzolatti, da Universidade de Parma, na Itália. O grupo colocou eletrodos na cabeça de uma macaco, um aparato que permitia acompanhar a atividade dos neurônios na região do cérebro responsável pelos movimentos através de um  monitor. Cada vez que o macaco cumpria uma tarefa, como apanhar uva-passas com os dedos, neurônios no córtex pré-motor, nos lobos frontais, disparavam. Quando um aluno entrou no laboratório e levou um sorvete à boca, o  monitor apitou - foi uma surpresa para os cientistas, porque o macaco estava imóvel. O mais intrigante é que sempre que o macaco assistia o experimentador ou outro macaco repetir essa cena com outros alimentos os neurôniios disparavam.
Além de compreender melhor nosso comportamento, o estudo sobre neurônios espelho podem ajudar na solução de questões práticas, como recuperação de pacientes com perda de função motora. Em 1992, o neurocientista indiano Vilayanur Ramachandran, diretor do Centro do Cérebro e da Cognição da Universidade da Califórnia, criou uma técnica que usa espelho para tratamento de dor fantasma (pessoas que perderam um braço, por exemplo, sentem dores nesse membro como se ele ainda estivesse lá). A técnica permite que uma rede de neurônios responsáveis pelo controle de uma mão possa ser usada nos movimentos da outra mão numa determinada tarefa. A idéia é reeducar o cérebro com uma simples tarefa, em que a pessoa realiza movimentos com o braço saudável, vendo no espelho como se fosse o braço amputado. Assim é possível enganar o cérebro, fazendo com que ele imite os movimentos do braço amputado através do braço não amputado no espelho. A técnica também tem sido empregada para recuperação do movimento de pessoas que sofreram AVC. Alguns pacientes são mais beneficiados que outros, dependendo do local da lesão e da duração do déficit após o AVC. Durante a terapia, essas células tanto podem responder a gestos já praticados quanto não apreendidos. O que significa que a capacidade desses neurônios de reagir à observação de uma tarefa não depende obrigatoriamente da nossa memória. A tendência é imitar, inconscientemente, aquilo que observamos, ouvimos ou percebemos. Caso exista ainda neurôniios espelho sobreviventes, a terapia espelho poderia revivê-los.

domingo, 15 de julho de 2012

Lista de Arrependimentos

Livro escrito por uma enfermeira australiana especialista em cuidados paliativos e doentes terminais lista cinco principais arrependimentos de pessoas prestes a morrer. São eles: 1. queria ter tido a coragem de fazer o que realmente queria, e não o que esperavam que eu fizesse; 2. queria não ter trabalhado tanto; 3. queria ter tido coragem de falar o que realmente sentia; 4. queria ter retomado o contato com os amigos; 5. queria ter sido mais feliz.

terça-feira, 19 de junho de 2012

EMOÇÃO

As emoções básicas do ser humano permanecem em nossa familiar com Doença de Alzheimer (DA).
O MEDO foi demonstrado por reações variadas como gritos ou buscando apoio em nós, segurando-nos de várias formas, pelas mãos, braços, etc. O medo por carência evidenciava-se exigindo nossa presença permanente.
A TRISTEZA manifestava-se pela expressão facial, pois aprendemos a conhecer todos os sinais da nossa querida mãe. Nossas atitudes para com ela tinham por base a observação sistemática e a percepção. Quando percebíamos a chegada da tristeza, buscávamos algo para transformar em alegria, como conversa agradável, o canto, a dança, etc.
Conseguimos promover a ALEGRIA com frequência, pois ela aparecia estampada no rosto, no sorriso, nas palavras, quando falava.
Descobrimos como tratá-la em cada momento sentindo e demonstrando muito amor e carinho, o que é fundamental para a interação paciente/familiar ou paciente/cuidador. Nossa aprendizagem, habilidade e paciência adquirida foi relevante para o êxito nos cuidados prestados.
A responsabilidade, o comprometimento e o dever de filha cuidadora me enriqueceu como ser humano; cultivei e desenvolvi o sentimento de amor, carinho, fé e esperança em oferecer senão o mais adequado tratamento, mas o melhor possível.


Trecho do livro " Doença de Alzheimer: um testemunho pela preservação da vida", escrito por Izabel Eri Camargo que cuidou da mãe com Alzheimer por longos anos.
Editora AGE, Porto Alegre, 2003.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Movimentos Involuntários

CORÉIA SENIL
A coréia senil é um termo utilizado para descrever movimentos involuntários, sobretudo da boca, da língua, e do tronco, quando não há história de terapia com medicamentos psicotrópicos ou com dopamina, de doença de Huntington ou de outros tipos de demência ou de distúrbios familiares do movimento.

TREMOR DE REPOUSO
O tremor de repouso (que praticamente desaparece com o início do movimento voluntário) é uma das manifestações mais comuns na doença de Parkinson. Este movimento ocorre mais comumente na porção distal dos membros superiores.

 CORÉIA
A coréia é uma contração aleatória e rápida de grupos musculares dos membros e da face. O envolvimento dos músculos axiais (do tronco) é minimo, de modo que o controle da postura geralmente não é comprometida. Os movimentos coreiformes são bilaterais e simétricos e geralmente estão associados a hipotônia.

ATETOSE
A atetose é um movimento retorcido, contínuo, lento, sinuoso e irregular. É o resultado da variação contínua e imprevisível do tônus muscular, que pode variar de hipotonia para hipertonia. A atetose tende acometer mais a musculatura distal, mas também afeta os músculos axiais, incluido face e boca. Em geral envolve os dois lados do corpo em um padrão simétrico e com frequência está associado a coréia ou espasticidade. As pessoas com atetose têm sua estabilidade postural prejudicada.

DISTONIA
A distonia é um distúrbio do movimento caracterizado pelo posicionamento contínuo. Pode afetar várias partes do corpo e é clinicamente observada como postura tônica. Distonias podem ocorrer nas doenças degenerativas e progressivas como nos estágios finas da doença de Parkinson e de Alzheimer. As pessoas com história prolongada de espasticidade associada ao AVC, esclerose múltipla ou esclerose lateral amiotrófica podem exibir postura distônica das mãos (hiperextensão ou flexão dos dedos) ou dos pés (equinovaro).

MIOCLONIA
É um movimento involuntário rítmico. Ocorre através de três mecanismos: (1) como expressão de um reflexo de estiramento hiperativo ao nível medular, (2) durante uma convulsão, (3) como um distúrbio idiopático ou fisiológicamente induzido.
A mioclonia por reflexo de estiramento hiperativo ocorre quando há lesão nos neurônios motores superiores do sistema motor piramidal, como a que ocorre no AVC ou na lesão raquimedular.
A mioclonia que ocorre durante a convulção pode envolver um único membro ou todos os membros em espasmos rítimicos.
Soluços e "crises de sono" são exemplos de mioclonia fisiológicamente deflagrada.

FASCICULAÇÃO
É uma contração assincrônica espontânea das unidades motoras. A fasciculação pode ser resultado de efeitos colaterais ou da dosagem excessiva de determinadas substâncias (ex.: cafeína), de desequilíbrio eletrolítico ou deficiência de sódio, de desnervação muscular, de irritação de raízes nervosas, de doenças das células do corno anterior da medula, de períodos de extrema fadiga ou exercícios rigorosos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Texo de Paciente

"Obrigada meu Senhor e meu Deus. Tenho uma família maravilhosa e amigos maravilhosos.
 Os acontecimentos em geral são de prazer. As contrariedades e vicissitudes foram todas de aprendizado, senão não teria vivido, pois muito aprendi.
Estou com 77 anos bem vividos com a graça de Deus.
Saúde e doença, tudo faz parte. Sou uma eterna aprendiz da vida.
Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.
Sou Feliz!"

Ceres

OBS: texto transcrito na íntegra.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Artrose X Artrite

Artrose
A artrose é uma afecção degenerativa que ataca as articulações. Ocorre em 80% da população acima de 55 anos, embora apenas 20% dos acometidos denotem sintomas. Homens e mulheres são igualmente atingidos. Quando se apresenta na juventude ou na vida média, a artrose é quase sempre secundária a uma lesão articular.
Os principais sintomas são dor durante ou após o movimento de uma articulação, que aumenta à medida que passa o dia, e endurecimento (conhecido como congelação), com perda da função após períodos de imobilidade. Assim, pode haver dificuldade em deambular ou levantar-se pela manhã ou após permanência prolongada numa cadeira. A dor provém tanto das articulações como dos músculos que a envolvem, porque estes entram em espasmo reflexamente. Como conseqüência da irritação dos nervos por osteófitos na coluna cervical ou lombar, os pacientes sentem braquialgia ou ciática. No caso da artrose do quadril, a dor pode ser sentida tanto no quadril quanto no joelho, porque os nervos de ambas as regiões provém de raízes de origem comum. A dor é menos intensa quando as articulações são mantidas em movimento ou quando o paciente está aquecido. A deformidade da articulação é também uma característica da doença. Os movimentos de uma articulação com artrose produz uma sensação rangente, ou crepitante, além da dor. Em alguns casos, poderá ser detectado um derrame intra-articular, por exemplo, no joelho, com inchaço.

Artrite reumatóide
Nesta afecção, que difere bastante da artrose, há uma inflamação crônica simétrica das pequenas articulações, juntamente com manifestações que incluem anemia, neuropatias, nódulos subcutâneos, doenças pulmonares e oculares. Cerca de três quartos dos afetados são jovens ou de meiaidade (entre 25 a 55 anos), com predominância de mulheres, na proporção de 3 para 1. O início da artrite reumatóide pode ser precedido por uma doença orgânica ou seguir-se a um período de tensão emocional e, por esta razão, ela é freqüentemente tida como um distúrbio psicossomático. Os principais sintomas são dor, endurecimento e perda da função das articulações das mãos e dos pés, cotovelos, joelhos, coluna cervical e, algumas vezes, a
articulação temporomandibular. A dor em picada predomina e se associa com endurecimento, que é pior após períodos de imobilidade, tais como sono ou repouso prolongado. Além de serem dolorosas, as articulações são inchadas. É comum que as deformidades dos pés e mãos sejam extremas, necessitando de correção cirúrgica.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

TEXTO DE PACIENTE: vale a pena ler

Abaixo segue transcrição na íntegra de um texto escrito por uma paciente de 92 anos de idade:

“A vida é um bem que nos foi dado por Deus.
            O sentido da vida não pode ser inventado, ele precisa ser descoberto.
            O importante em nossa vida é colocar o nosso ser nos trabalhos que conduzem à felicidade. No decorrer de nossos dias, verificamos que o mundo era diferente. Várias mudanças aconteceram no decorrer dos anos.
            A vida no interior era bem diferente das cidades; era tempo de descobertas, de sobrevivência, cada um em busca da felicidade e do progresso. Para sobrevivermos era necessário ir à luta com nosso trabalho sem prejudicar o nosso próximo. Tudo era mais tranqüilo; não havia tanta rivalidade, mas sim mais companheirismo, mais união entre as famílias, mais amor, e com a ajuda de nosso Pai sabíamos vencer os momentos de dificuldade.
            Atualmente, o progresso e as invenções deixaram para trás a bondade. Por que tantas tragédias, agressões e insegurança? Vivemos num tempo de muitas violências.
            Quando estamos em meio às dificuldades, não conseguimos compreendê-las, no entanto, quando as superamos podemos olhar para trás e enxergamos o quanto aprendemos e o quanto crescemos com elas.
            Não é suficiente que as portas das Igrejas estejam abertas, é preciso que os corações dos cristãos estejam abertos para receber a todos.
            É triste quando alguém vive a sua vida sem perceber que precisa de Deus, pois ter necessidade de Deus é a maior perfeição do ser humano. O mundo será diferente no dia em que verdadeiramente amarmos os nossos semelhantes.
            Nos meus 92 anos tenho certeza que alcancei a serenidade dedicando meus dias auxiliando o meu próximo, procurando amenizar suas dores com a ajuda de nosso Pai Maior.
            Quando adquirimos consciência de que cada minuto é sublime começamos realmente a viver.
            Tenho certeza que está faltando amor e espiritualidade, pois muitos estão cada vez mais se afastando da fé e do amor, esquecendo que existe um Ser Superior sempre pronto a nos proteger e nos perdoar de todas as nossas falhas.
            Para terminar afirmo que quando adquirirmos consciência de que cada minuto é sublime e cheio de significados começamos realmente a viver.”

Célia
           

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

História da Fisioterapia X Geriatria


O avanço das pesquisas mundiais incentivou um grupo de médicos brasileiros a criarem em meados de 1950 as primeiras jornadas em geriatria. Somente em 1962, doze anos depois, foram realizados os primeiros cursos de extensão universitária sobre o envelhecimento. No mesmo ano, é fundada a Sociedade Brasileira de Geriatria (SBG), no Rio de Janeiro, deixando de fora todos profissionais não médicos que atuavam com o segmento idoso. Em 1968, com a nomeação de profissionais não médicos a SBG passou denominar-se Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Nesta época, em 1969, a fisioterapia estava sendo regulamentada no Brasil, pelo decreto-lei n. 938, deliberando a atividade como profissão que necessita de formação de nível superior.
Na geriatria, a primeira residência médica instalou-se em 1976 na PUCRS. No mesmo ano se deu a criação do Instituto de Geriatria e Gerontologia (IGG), também na PUCRS. Somente em 2002 a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), fundou o segundo IGG do pais.
Em 1979, surgiu o primeiro curso de especialização em gerontologia do pais, no Instituto Sede Sapientiae, em São Paulo, aberto a profissionais de diferentes formações.
Podemos observar que o estudo sobre o envelhecimento é recente no Brasil, sendo considerado por muitos pesquisadores como uma “ciência muito jovem”. No entanto, percebemos que a fisioterapia é mais recente ainda. Muitas  universidades não dispõe em sua grade curricular a disciplina de geriatria e gerontologia nos cursos de fisioterapia.
 A primeira especialização de fisioterapia em geriatria e gerontologia surgiu em 2008, no CBES/POA. Atualmente, há poucas escolas (CBES, INSPIRAR...) de pós-graduação em fisioterapia que disponibilizam essa especialização.
A capacidade funcional constitui o determinante primário das necessidades diárias das pessoas idosas. O movimento normal é elemento primordial para a funcionalidade do indivíduo. Talvez, neste ponto, que a fisioterapia adentra na geriatria, pois é essa a profissão que tem como escopo a preservação ou reabilitação do movimento humano.
A história da fisioterapia geriátrica é recente, tão recente que ainda está em construção, sendo nós (fisioterapeutas) os arquitetos desta obra

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Perfil do cuidador domiciliário de idosos

 

RESUMO


A proposta deste trabalho foi traçar o perfil dos cuidadores domiciliários de idosos cadastrados no programa de Acamados das Unidades Básicas de Saúde da Vila Floresta, Bairro Coinma e do Jardim Itú, pertencentes ao Grupo Hospitalar Conceição/Porto Alegre. A amostra totalizou 43 cuidadores. Foram investigadas questões sobre a qualificação do cuidador, o grau de parentesco do cuidador com o idoso cuidado, as atividades desempenhadas pelo cuidador e variáveis relativas aos cuidadores como idade, sexo, escolaridade, local de residência e se a atividade é formal ou informal.  A coleta dos dados foi feita através de um formulário, respondido pelo cuidador na companhia do pesquisador. Os dados obtidos nesse trabalho foram armazenados no programa de computador excel 97 e analisados pelo programa SPSS versão 8.0. A análise descritiva foi utilizado como método de avaliação dos dados coletados. Com este estudo foi possível verificar a falta de qualificação dos cuidadores domiciliários de idosos e a carência de suporte a eles fornecido, o reduzido número de pesquisas nesta área de conhecimento e o expressivo número de familiares desempenhado a atividade de cuidador domiciliário de idosos.

Palavras-chave: idoso, cuidador domiciliário. Faltam mais duas palavras-chave

Se houver interesse em possuir o artigo na integra, faça contato via e-mail.

Luciano Chaves

Envelhecendo com Dependências



      Estudos americanos indicam que 13% dos idosos entre 65 e 69 anos necessitam de algum auxílio nas atividades de vida diária (AVD); este percentual se eleva para 55% na população acima dos 85 anos. Algumas pesquisas, consideram como atividades de vida diária – preparar refeições, fazer limpeza da casa, tomar remédios, pentear cabelos, andar no plano, comer, tomar banho, vestir-se, deitar/levantar da cama, ir ao banheiro em tempo, cortar as unhas dos pés, subir um lance de escada, ir a um lugar necessitando de condução, ir andando a um lugar perto de casa – e identificaram que quase 20% da população estudada precisa de alguma ajuda para realizar pelo menos 4 atividades, e 7% não realiza sem ajuda pelo menos 7 delas.

Muito se ouve falar sobre longevidade, sobre “dicas” de como envelhecer com saúde. Mas e aqueles que são velhos e dependentes? È possível viver com qualidade de vida? É possível prevenir fragilidades e aumentar a independência? Precisamos de qualificação na rede de assistência ao idoso, principalmente, para os familiares, cuidadores e profissionais de saúde. Estou restringindo o assunto no âmbito da saúde, mas poderíamos falar de políticas públicas, de planejamento urbano entre outros.

O cuidador enfrenta, diariamente, uma grande diversidade de tarefas, as quais são definidas pela doença e incapacidade funcional do idoso. Portanto, a orientação sobre as diversas doenças que acometem o idoso e sobre aspectos de cuidado são essenciais para o cuidador desempenhar atividades qualificadas. Por exemplo, como podemos auxiliar o idoso que depende para levantar-se da cadeira? Pegamos pelo pulso ou braço e o puxamos, ou, apoiamos nossas mãos por trás dos ombros, firmamos nossos joelhos contra os dele e então o assistimos na tarefa de levantar. Na primeira alternativa, estamos sujeitos, pelo menos, a quatro problemas: lesionar a pele do braço ao puxa-lo, devido à pele sensível de alguns idosos; lesionar o pulso, ombro e coluna com o puxão; puxa-lo direto para o chão, pois não estabilizamos seus joelho; não permitir ao idoso a participação na tarefa de levantar, induzindo a uma maior dependência. Portanto, a alternativa correta é a segunda, na qual, oferecemos suporte adequado reduzindo o risco de lesão e possibilitando a participação na função. Inúmeros exemplos poderiam ser citados, como a melhor forma de facilitar a marcha, sobre o posicionamento adequado no leito ou na poltrona, como transferir com segurança a pessoa de um local para outro, entre outros. Existem técnicas e métodos específicos, que devem ser compreendidos por aqueles com a importante tarefa de cuidar, não podendo ser feito de qualquer jeito, sob pena de prejudicar o idoso dependente.

Outra questão importante e que induz à dependência é querer fazer tudo pelo geronte. Geralmente, os cuidadores na tentativa de ajudar ou de terminar mais rápido o serviço apropriam-se das funções que poderiam ser executadas pela própria pessoa. Um exemplo, bem comum é dar comida na boca daquele que tem condições de alimentar-se sozinho. Temos que estimular o máximo de função, protelando o agravamento das dependências e aumentando a independência.

O idoso dependente necessita de incentivo para a realização das tarefas do dia-a-dia, necessita de atividades preventivas e de reabilitação que evitem a involução e busquem a melhoria funcional.

Esse texto foi escrito com o intuito de despertar o interesse das pessoas, principalmente, familiares e cuidadores de idosos dependentes sobre esse tema tão importante. Falar sobre idosos saudáveis e sobre como envelhecer bem é essencial, mas não esqueçamos de elucidar as questões de nossos gerontes dependentes, os quais merecem excelentes cuidados e melhor qualidade de vida.

OBS: diversas pesquisas identificam o familiar (principalmente a mulher) como a principal fonte de cuidado de idosos dependentes. No entanto, neste texto, quando falo em cuidador, refiro-me a todos aqueles envolvidos com o cuidado, inclusive os profissionais de saúde e Instituições Geriátricas.

Luciano Chaves
Fisioterapeuta
Crefito 63.178-F
Especialista em acupuntura
Pós-graduado em fisioterapia geriátrica

A Arte de Envelhecer

 

            Envelhecimento é um processo natural pelo qual todos passaremos. Afinal, quando começamos envelhecer? Alguns pesquisadores afirmam que envelhecemos desde o nascimento, pois nascemos, nos tornamos crianças, adolescentes, adultos jovens, adultos, velhos e morremos. Outros, acreditam que a senescência inicia-se na terceira década da vida, quase imperceptível, tornando-se visível a partir dos 60 anos.

            Na verdade o “quando?” não importa muito. Devemos nos preocupar com o “como?”. Portanto, a pergunta mais adequada é “Como estamos cuidando da nossa vida?”. Existem diversas teorias, conceitos e formas de se ter uma vida saudável; e na verdade a maioria está correta, no entanto, temos que “abrir os olhos” para as formas mágicas, pois mágica não existe. Cuidando da saúde temos mais chances de ter um envelhecimento saudável, de ter certa independência até os últimos anos de nossas vidas.

            Envelhecer! A moairia das pessoas não pensam nisso, têm medo, ou dizem, está tão longe para acontecer. Na verdade chegar à velhice pode faltar muito tempo, no entanto, o envelhecimento esta acontecendo agora, e devemos ficar alerta. Sendo o envelhecimento um processo natural porque não planeja-lo?

            Existem fatores controláveis, embora de dificil controle e outros não controláveis, embora passiveis de prevenção. Fatores controláveis são: (1) alimentação adequada, contendo no cardápio diário alimentos construtores (protínas), energéticos (carboidratos) e reguladores (verduras e frutas); (2) dormir 8 horas diárias; (3) lazer, como atividade anti-estresse; (5) exercícios físicos e; (4) evitar vícios. Os fatores não controláveis são: (1) acidentes; (2) econômicos e; (3) genéticos (ainda não totalmente controlável). Assim sendo, podemos planejar nosso futuro, principalmente, a partir dos fatores controláveis e previnindo os fatores não controláveis. Você prefere ser um velho saudável, independente físicamente e financeiramente, com amigos e familiares a sua volta; ou um velho com problemas de saúde, dependente, pobre e com dificuldade de relacionamento inter-pessoal?  

            Envelhecer é uma arte. Fazemos nosso roteiro e construimos nosso personagem e, quando temos bom desempenho no palco somos aplaudidos com qualidade de vida; agora, se não houver dedicação e disciplina seremos vaiados com sofrimento. Somos  artífices da vida.

             
Luciano Chaves
Fisioterapeuta
Crefito 63.178-F
Especialista em acupuntura
Pós-graduado em fisioterapia geriátrica